Wednesday, January 7, 2015

Liebster Award

E então, "Meu bolso esquerdo" foi lembrado e indicado para o Liebster Award pela escritora e amiga Márcia Maria Martins Monteiro. Essa lembrança generosa me motiva e enche de gratidão. Muito obrigado!







Minhas respostas conforme pedido:

1- Quais foram as razões para abrir o seu blogue?
     Escrevo músicas e poemas desde criança, o que me fez acumular uma enorme quantidade de material. Comecei a organizá-los e um blogue me pareceu um formato ideal para organizar e pela primeira vez em minha vida, mostrar o que escrevo.

2- Conselhos a dar a uma pessoa que começa com o seu blogue?
     Antes de começar um blogue, avalie qual é sua motivação em fazê-lo. Feito isso, produza algo de qualidade e de forma consistente, e persista.

3- Que vantagens lhe trouxe?
     Os amigos bloqueios e escritores que hoje me são pessoas queridas, e a percepção de que talvez o que eu escreva não seja de fato bom, ou tampouco tenha valor literário, mas é o que faço de melhor e o que quero continuar fazendo.

4- O que conseguiu através do seu blog?
     Enxergar um universo de novas possibilidades de vida, de relacionamentos e de histórias, além da disciplina de escrever todos os dias.

5- Que objetivos tem a curto/ médio prazo?
     Curto prazo: Continuar escrevendo todos os dias; lançar meu primeiro álbum de canções - já na etapa final de edição - e colocá-lo diante do maior número de pessoas possível.
         Médio prazo: Iniciar meu livro com poemas inéditos num formato pouco ortodoxo (na prancheta ainda!).

6- Diga-me três erros que você fez quando você abriu o blogue.
     Falta de constância, acreditar que meus amigos (reais) se importariam em ler o que escrevo e me preocupar com o que os outros iriam julgar de meus textos.

7- Que blogues visita diariamente?
     "Regularmente" seria mais apropriado dizer, uma vez que meu dia-a-dia e a rotina de escrever não me permitem ler o tanto que gostaria. Ver a lista de indicados abaixo.

8- Tem algum tipo de ajuda no blogue, ou é você que faz tudo?
     Eu faço tudo.

9- Que temas de blogues são os seus preferidos?
     Poesia, Fotografia e desenho.

10- O que mais aprecia escrever no seu blogue?
     Poesia e crônicas que contam histórias. São as mais trabalhosas mas o resultado muito me agrada, e o processo é uma aventura de técnica e sentimentos.

11- O que é que o liga a um blogue que visita?
     A qualidade e a ousadia do material apresentado!


Conforme as regras do prêmio, escrevo minhas  5 nomeações ao prêmio (ordem aleatória), seguidas das 11 questões que proponho (questões diferentes mas que respeitam a proposta inicial, que pode ser lida no link "Regras do Prêmio"):

1- Imaginarcia
2- Entre MarÉs
3- O inferno são os outros
4- Instantâneos a preto e branco
5- Alma Inspiradora



1 - Qual é sua motivação no momento de produzir conteúdo para o seu blog?

2 - Qual seu livro de cabeceira atualmente ou qual o último livro que leu? Recomenda? Por quê?

3 - Quanto tempo por dia (ou por semana) você se dedica ao blogue?

4 - O que te toma mais tempo: criar/ produzir seu material ou editar, formatar e divulgar o material já criado?

5 - Como leitor/ observador de sua própria obra, o que mais te agrada nela?

6 - É possível verificar traços políticos e religiosos em sua obra? Essa presença ou ausência é proposital?

7 - Você acredita ser a internet o melhor veículo pras pessoas apreciarem a sua obra?

8 - O que te traz realização pessoal? Eleja se possível apenas uma coisa.

9 - Que planos você tem para o seu blogue em 2015?

10 - Qual obra sua você indicaria para introduzir seu trabalho a alguém que nunca tenha tido contato com ele? Coloque o link de ao menos uma.

11 - Pra você, o que é a vida?




Aguardo ansioso o prazer de ler suas respostas!

Muito obrigado
Um grande abraço com carinho e admiração.

RJ Gullicci







Os olhos

Os olhos não mentem
Se encantam
Se rendem
Às vezes se enganam
No olhar de um outro olhar

Também são capazes de se disfarçar
Olhando de lado
Pra não se entregar

Se lançam 
Se vendem
Pra se divertir
Talvez busquem apenas
Uma razão de existir

Talvez queiram apenas
Se perder por aí
Para então em outros olhos
Renascer e sorrir





Tuesday, January 6, 2015

Minhas palavras

Minhas palavras
Vão e se estendem
Nascem em meu peito e morrem no chão

São só palavras
E não entendem
Como alcançar o teu coração

Dessas palavras
Eu invento versos
De qualquer jeito, todos em vão

Pois as palavras
Não servem pra nada
Morrem no peito de minha solidão

São tantas palavras
Pra te falar
Tantos sentimentos em tuas mãos

Tantas palavras
Pra te explicar
O que não precisa explicação

Eu tenho palavras
E invento a coragem
Pra então conquistar o teu coração

Mas eu só conheço
Poucas palavras
Que não te alcançam e morrem no chão






Monday, January 5, 2015

Ele era uma menina




Ele era uma menina
aprendendo a caminhar
Ela era um garoto
aprendendo a viver
Ele era cor-de-rosa
no uniforme todo azul
Ela era azul-marinho
com uma fita na cabeça
Ele tinha maquiagem
mas o espelho não mostrava
Ela usava maquiagem,
mas no espelho não se via
Ele era apaixonado
pelo seu melhor amigo
Ela era apaixonada
pela garota mais bonita

Eles eram o que queriam
mas o mundo não entendia
Só queriam se encontrar
mas o mundo não queria
Só queriam um lugar
para serem o que já eram
Mas o mundo veio e disse
que não havia esse lugar
Que eles não eram o que viam
Que não sentiam o que sentiam
Que não teriam o que esperavam
E que somente a solidão
é o que iriam encontrar

Eles jamais se conheceram,
mas trilharam o mesmo destino
Ele num corpo de mulher,
ela num corpo de menino
Eles eram muito jovens
e não puderam enxergar
Que o tempo ensina a todos
a encontrarem o seu lugar
Não puderam suportar
tanto rancor e violência
E só a tristeza e a solidão
foi o que tinham pra contar

E pra fugir dessa tristeza
se lançaram em pleno ar
A menina cor-de-rosa
do mais alto viaduto
E o garoto azul-marinho,
do edifício à beira-mar

Só deixaram suas histórias
para quem quiser contar
Que ela era um garoto,
e ele era uma menina
Que fugiram dessa vida
para tentar se libertar
Da razão fria e doente
que só enxerga o que quer enxergar
Não dá espaço para o ser diferente
E não tem a menor idéia
Do que de fato seja amar


__________________________

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio de jovens
entre 15 e 19 anos de idade é a quarta causa de morte entre os homens
e a terceira entre as mulheres. A proporção chega a ser 6 vezes maior que 
a média em países onde questões culturais e religiosas coíbem as liberdades
individuais. Nesse mundo há muita coisa errada, e individualmente somos
muito pequenos pra lidar com tudo ao mesmo tempo. Mas é sempre possível
olhar para o lado, abandonar velhos conceitos , aprender e ensinar aos nossos
jovens que aceitação, carinho, amizade e compreensão, são ferramentas
poderosas pra construirmos um  mundo melhor!




Friday, January 2, 2015

Um pequeno verso

Um pequeno verso
Uma pequena história
Um universo nos olhos
Dos olhos que me fazem sonhar

Eu os olho e adormeço
E por toda vida hei de olhar
O brilho que vem desses olhos
O universo que me lembra o que é amar




Thursday, January 1, 2015

O Primeiro

O primeiro traz a noção de justiça que o passado nos negou
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois do último que nos magoou

O primeiro é uma marca naqueles que carregam a esperança
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois de tantos que nos levaram pra bem longe

Dos primeiros
trago meus sentimentos de infância
os pés descalços na areia da praia
o sorriso fácil olhando pro futuro com a crença irresponsável de que agora tudo será diferente

Eu me lembro o que é isso
Eu me lembro de não estar cansado
Me lembro de saber de tudo

Mas não me lembro dos outros primeiros
Eles se foram
Levados pela decepção do porvir
Que nunca vem pra nos dar alento, boas novas ou vontade

Meu coração não celebra mais esse porvir
Incauto
me conduz por veredas que de fato
não tiveram começo nem tampouco terão fim

De fato, creio que nunca tive um primeiro
Tudo não passou de uma contínua linha de subjetividades
inventadas pra justificar a existência desse meu coração aflito.

Já estou farto de pequenas verdades!












Wednesday, December 31, 2014

Preciso parar de escrever


Eu preciso parar de escrever
Nos últimos tempos
As palavras me fizeram companhia
Mas é preciso assumir que minhas palavras não mudarão o curso da história
Não mudarão sequer o curso de minha história
Uma história torta que nem mesmo parece ter um curso

Ser um homem de palavras 
não faz de mim de fato um homem
Nunca fui bom de fato nesse item
Não sou o filho que deveria
Não sou o pai que gostaria
Não sou o marido que deveria

Fiel aos meus princípios 
às vezes me esqueço de ser fiel à mim mesmo
E isso desmantela toda a história

A história torta que não tem curso
E então
Preciso parar de escrever
Pois minhas palavras não mudarão o curso da história 
E mesmo que mudem
Eu não posso acreditar nisso

Pois se acreditasse não seria mais um homem de palavras
E sim
Um homem de negócios 

E diante do fato de eu não ser um homem
da maneira que o mundo queria que eu fosse
lhes digo sem guardar dúvida ou amargura:

Negócio eu nunca serei

Nunca!!!







Tuesday, December 30, 2014

A Dança

Tuas imagens
Miragens e sonhos
Me fazem dançar

Tuas vertigens
Encantos e formas
Me fazem sonhar

Tuas paisagens
Encontros e beijos
Me trazem prazer

Tuas mensagens
Poemas e medos
Me fazem viver 

________

Tuas imagens
Encantos e formas
Me trazem prazer

Tuas vertigens
Miragens e sonhos
Me fazem viver

Tuas paisagens
Poemas e medos
Me fazem sonhar

Tuas mensagens
Encontros e beijos
Me fazem dançar

________

Tuas imagens
Tuas vertigens
Tuas paisagens
Tuas mensagens
Encontros e beijos
Encantos e formas
Poemas e medos
Miragens e sonhos
Me fazem sonhar
Me fazem viver
Me trazem prazer
Me fazem dançar

E nessa dança sem fim
Onde repetir é reinventar
Eu reinvento o que quero dançar
E não posso
Subverto o que quero viver
E não vivo
E recomeço onde quero morrer

...pois não morro!





Monday, December 29, 2014

O Corpo

No corpo
Encontro os limites daquilo que entendo
Mas não os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de suas palavras
Viajo com o vento
E me rendo ao toque dos teus sentimentos
E sinto o calor que carrega o teu sangue
E o gosto salgado de teus pensamentos
E o cheiro molhado que tem teus desejos
E os sons indecentes dos teus olhos fechados
Hesitantes
Excitantes
Exilados
Em delírio, delirantes
Aprendendo com a noite
Até a noite acabar!

Dos limites desse corpo 
Traço fronteiras que de fato não tenho
Que se expandem
Que te encontram
Adormecem em um sonho
Sem ter medo de acordar
E acordam desse sonho
Nos limites desse corpo 
Onde encontro os limites daquilo que entendo
Mas nunca os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de teus beijos molhados
Sou apenas humano
Nada mais que pecado
Aprendendo com a vida
Até a vida acabar!





Thursday, December 25, 2014

De passagem

Tive na vida muitas pessoas que gostaria que tivessem ficado
Mas não ficaram
Se foram mais cedo
A morte, a distância, o esquecimento...
Todos se foram
Mas ficaram os sentimentos
As histórias
Os encantos, a memória...

O gosto do beijo
os tons das palavras
o brilho do olhar
São provas que ainda posso provar

Da partida
E dos corações partidos
A certeza de que fui capaz de amar
Fui capaz de estar vivo e de ter vivido
Fui capaz de sorrir
E de sonhar



(Ofereço-lhes uma rosa. A mesma que me fez nascer!)




Wednesday, December 24, 2014

Milícias

Não quero inventar as milícias de um coração em sofrimento
Há muito não vejo virtude, não vejo encanto ou despertar
Se cruel, sou então o canto de uma noite sem estrelas
Nessa noite dormirei sem o compromisso de acordar

E se então pela manhã houver a luz e um novo dia
Mais uma vez serei pequeno e solitário ao caminhar
Se por amor ou por vingança me procuram ao entardecer
Só sentimentos e alguns versos é o que devem encontrar

Não quero armas ou milícias pra proteger o que não tenho
Não tenho ouro ou virtudes pra me esconder da escuridão
No julgamento ou na tortura nada tenho a entregar
Além de estrelas que não vejo, e o coração em minhas mãos







Tuesday, December 23, 2014

Me desculpe

Me desculpe por não ter de fato nada bom a dizer
Me desculpe por não ser sorriso no dia de festa
Me desculpe por não vir dançar só por que tocam a música
Me desculpe por não te esconder que aqui não é o meu lugar
Me desculpe por não gargalhar da piada ensaiada
Me desculpe por não conversar as conversas banais
Me desculpe por não me vestir com as roupas da moda
Me desculpe por não estar ansioso para o próximo sábado
Me desculpe por não ter comprado uma pequena lembrança
Me desculpe por só possuir o que cabe em meu bolso
Me desculpe por não aceitar que o dinheiro me compre
Me desculpe por não me importar com o que dizem os outros
Me desculpe por não priorizar a limpeza da casa
Me desculpe por ignorar o rangido da porta
Me desculpe por não celebrar nossos falsos amigos
Me desculpe por não me iludir com promessas vazias
Me desculpe por não esquecer das desgraças do mundo
Me desculpe por não enviar sinais de esperança
Me desculpe por não acreditar que haverá um ano novo
Me desculpe por não inventar uma razão pra estar vivo

Me desculpe por não escrever outras versos de amor
Além dos que fiz quando o amor nos bastava
Hoje as marcas do tempo escorrem em meus dedos
Hoje os versos de amor estão além das palavras

Hoje encaro as escolhas que fiz pela vida
Hoje eu vivo as imagens do que me restou
Te peço desculpas por não ser como os outros
Mas não peço desculpas por ser quem eu sou







Monday, December 22, 2014

Saudade

Das palavras que se acumulam diante de meus olhos
Dessa pilha de versos estúpidos
que atormentam meu coração
Desse universo de sentimentos escritos
que me cortam em pedaços

Existe apenas uma coisa que de fato entendo
e que de fato aceito

A saudade!

Saudade daquilo que um dia foi virtude
Saudade daquilo que ainda não conheço 

Com essa saudade remendo os pedaços em que me transformei com o tempo
e que sem ela já estariam há tempos perdidos pelo caminho.




Friday, December 19, 2014

Soneto para Leila


O mundo inteiro hoje a mim se apega
E cala no silêncio que repete
Meu grito ensandecido que reflete
A voz que de teu ventre parte e cega

O Lobo guarda hoje a dose certa
Da essência entorpecente que recebe
Um deus tão poderoso cala e pede
A paz que de teu beijo parte a entrega

Não fosse a poesia de tua alma
Não fosse o denso verde dos teus gestos
Seria a divindade do teu canto

E nessa tempestade insana e calma
As flores talvez façam o que não presto:
Dizer a ti, mau anjo, o quanto a amo



(o único Soneto que tive a audácia de escrever na vida.
Escrito há 16 anos... ...e contando!)






Thursday, December 18, 2014

Distante

Do alto da colina vejo os campos e o horizonte
Belos e distantes
Mas a beleza
e a novidade
já não conseguem me enganar:
Os campos são belos
Como belo é o horizonte
E sempre belos serão aos meus olhos

...enquanto estiverem distantes.





Wednesday, December 17, 2014

Te encontrar


Espero ainda um dia te encontrar
Além da violência desses dias
Um dia em que as noites serão noites
E não esse pesar que silencia

Espero ainda um dia te olhar
Sem os laços que sufocam a rebeldia
No dia em que as noites serão noites
E os dias não serão mais do que dias

Espero ainda um dia te falar
Das vozes que sussurram delirantes
Os versos de um canto sem memória
Poemas de amor hoje distantes

Espero nesse dia te amar
Além da estupidez, além do medo
No dia em que as noites serão noites
E a vida o decifrar de seus segredos






Tuesday, December 16, 2014

Detalhes infinitos

O espelho e a casa vazia
A escuridão das luzes apagadas
O silêncio de nenhuma voz
E o de minha voz calada

A luz que entra pelas frestas
e o descaso das cortinas fechadas
A bagunça que não se mexe há dias
E as portas abertas por onde ninguém passa

Tudo isso são detalhes infinitos
Não há como fugir
E nem como me fazer ficar

Não há resposta à pergunta não feita
Nem cicatriz pra essa ferida exposta
O que existe é o tempo e a poeira

Além do infinito no detalhe de meus olhos fechados!






Monday, December 15, 2014

Aprendendo a andar


Aprendendo a andar
A cada tombo
A cada engano

Aprendendo a falar
de tantos medos
tantos sonhos

Aprendendo a calar
o que é desejo
o que é profundo

Aprendendo a buscar
outros caminhos
outros mundos

Aprendendo a olhar
Por entre as sombras
entre escombros

Aprendendo a viver
entre famintos
miseráveis

Aprendendo a amar
mais amanhã
do que foi ontem

Aprendendo a dançar
com os pés descalços
e incansáveis

Aprendendo a andar
falar, calar
buscar o caminho

Aprendendo a olhar
viver, amar
dançar sozinho

Aprendendo a morrer
dia após dia
e lentamente

Aprendendo a nascer
noite após noite
eternamente