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Friday, October 28, 2016

Nem Palavras




Hoje não tenho nada que seja meu...
...nem palavras.

Entrei no quarto de meu filho que dormia,
pra acalmar-lhe a "tosse de outono": não faz mal mas atrapalha o sono.

Após lhe dar um gole de água - com a nítida impressão que ele o fez sem sequer acordar, passei alguns minutos acariciando os cabelos e pensando... ...pensando... ...pensando no poder das mãos acariciando cabelos... ...pensando nas mãos que não tive... ...nos cabelos que não posso alcançar... ...pensando em minhas mãos, e nos cabelos de meu filho!


Passaram mais minutos do que pude perceber... ...a tosse também passou!!
Sai do quarto e novamente me fiz de alvo, vidraça pra todas as luzes.

Hoje não tenho nada que seja meu...
...nem palavras!!!


(escrito em 28 de Outubro de 2012 - Facebook me lembrou)

Saturday, August 1, 2015

Medo do Trovão

Medo do Trovão
Medo de tocar os pés no chão
E não encontrar a esperança
   que antes batia em meu peito

E não encontrar confiança
   pra caminhar do meu jeito

E me perder pela rua
   sem encontrar abrigo

E me perder pela vida
   sem enxergar teu sorriso

Canção: "Medo do Trovão" (R. J. Gullicci)
Versão "AO VIVO" com Mira Serena


Viste:
www.gullicci.com

Tuesday, January 27, 2015

Notas Poéticas: "Entre aspas" (#9 de 14)


Lac Ouimet - Mont-Tremblant - QC

Entre o céu e a Terra
Entre aspas
Entre pernas
Entre as seqüelas de palavras e pessoas doentes

amores!






Wednesday, January 14, 2015

Liberdade


Apareceu no fim do mundo
               a liberdade que eu não via

Apareceu no fim do dia
               a liberdade que eu pedi

Não era céu, nem era a morte 
               a liberdade que surgia

Era você e o seu amor
               na liberdade de sentir



Thursday, December 25, 2014

De passagem

Tive na vida muitas pessoas que gostaria que tivessem ficado
Mas não ficaram
Se foram mais cedo
A morte, a distância, o esquecimento...
Todos se foram
Mas ficaram os sentimentos
As histórias
Os encantos, a memória...

O gosto do beijo
os tons das palavras
o brilho do olhar
São provas que ainda posso provar

Da partida
E dos corações partidos
A certeza de que fui capaz de amar
Fui capaz de estar vivo e de ter vivido
Fui capaz de sorrir
E de sonhar



(Ofereço-lhes uma rosa. A mesma que me fez nascer!)




Friday, December 19, 2014

Soneto para Leila


O mundo inteiro hoje a mim se apega
E cala no silêncio que repete
Meu grito ensandecido que reflete
A voz que de teu ventre parte e cega

O Lobo guarda hoje a dose certa
Da essência entorpecente que recebe
Um deus tão poderoso cala e pede
A paz que de teu beijo parte a entrega

Não fosse a poesia de tua alma
Não fosse o denso verde dos teus gestos
Seria a divindade do teu canto

E nessa tempestade insana e calma
As flores talvez façam o que não presto:
Dizer a ti, mau anjo, o quanto a amo



(o único Soneto que tive a audácia de escrever na vida.
Escrito há 16 anos... ...e contando!)






Wednesday, December 17, 2014

Te encontrar


Espero ainda um dia te encontrar
Além da violência desses dias
Um dia em que as noites serão noites
E não esse pesar que silencia

Espero ainda um dia te olhar
Sem os laços que sufocam a rebeldia
No dia em que as noites serão noites
E os dias não serão mais do que dias

Espero ainda um dia te falar
Das vozes que sussurram delirantes
Os versos de um canto sem memória
Poemas de amor hoje distantes

Espero nesse dia te amar
Além da estupidez, além do medo
No dia em que as noites serão noites
E a vida o decifrar de seus segredos






Friday, December 12, 2014

O sol de teus olhos


Ainda me lembro
do dia de sol
Do sol de teus olhos
Do sol dividido
Me lembro do dia
E do amor escondido
Ainda maior
Que teus olhos perdidos

Ainda me lembro
Do dia de sorte
Da espera contida
Da voz comedida
Do banco lá fora
Do resto da vida
Me lembro dos olhos
Sem dor nem feridas

Me lembro da pressa

e dos planos futuros
Me lembro da Rosa
e das mãos delirantes
O banco lá fora
Não é mais como antes
O dia de sol

Já não aquece o bastante

Mas o sol de teus olhos

É ainda maior
Maior que esse sol
Maior que as feridas
Eu vivo esse amor
E uma espera contida 
Pois me lembro da Rosa
E do resto da vida







Thursday, December 11, 2014

Manhãs de um dia futuro


Vastos os campos diante dos olhos cansados
A espera de passos que de tão lentos nunca vão chegar
Lento e cansado se apresenta esse destino
Que não menos vasto é bem maior que meu olhar
Um olhar que persegue sentimentos e virtudes
Imagens disformes e difíceis de encontrar
Razões dissonantes que me atacam enquanto escrevo
Insensível aos gritos que insistem em me assombrar
Amar é o que resta - mesmo que eu não saiba amar




(quando palavras não são suficientes pra dizer obrigado)








Monday, December 8, 2014

Estar


Estar vivo não já basta
Já basta a pena de estar
Andando nas ruas
Olhando as pessoas
Meus passos precisos
Meu silêncio no olhar

Pessoas às margens
Sem perdão nem lugar
Eu não encontro lugar
E já nem acho que ele exista

Desse mundo que conheço
O que conheço é o estar
Estar sozinho
Estar distante
Estar enganado, dividido

E mais que dividido
Estar em pedaços e ferido
Nos cacos do espelho
Eu, imperfeito e distorcido
E no silêncio desse olhar
A angústia de ser e de estar

De ser tão pequeno e estar perdido
De ser o que sou e não o que digo
De ser o que vivo
       e não saber amar







Friday, November 28, 2014

Se eu fosse contar os dias


Se eu fosse contar os dias
Contaria os dias que te amo
Pois os dias que vieram antes disso
Foram engano
Foram ilusão
E os dias que virão depois de ti
Não serão dias
Nunca virão

Se eu fosse contar os dias
Não contaria nem o acaso nem o avesso
Pois o avesso é o acaso do destino
E o acaso é o destino do avesso
Não moram em ti
Que és a estrada que conheço
Onde me vejo
E onde me esqueço

Se eu fosse contar os dias
Contaria os dias de teus dias
Pois os dias que contaram antes disso
Foram palavras
Sem alegria
E os dias que eu contar depois de ti
Não serão verso
Nem poesia




(aos 16 anos que contamos os dias juntos!)



Thursday, November 20, 2014

Um breve adeus

Era ainda de manhã
Quando te vi com flores nas mãos
Mais do que flores
Havia um sorriso
Esperança nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas era tudo o que eu sonhava
O que é quase a mesma coisa
Nessa vida
Nessa estrada

O caminho era bonito
E eu não me sentia mais sozinho
Mas o tempo sempre passa
E nos leva a outros caminhos
               - - - - - -

Quando veio o entardecer
E te vi com um aceno nas mãos
Mais do que um aceno
Havia um adeus
Um aperto nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas eram lágrimas sentidas
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

O caminho era cinzento
E eu não entendia estar sozinho
E o tempo sempre passa
E traz a dor pro meu caminho
               - - - - - -

E então chegou a noite
e eu nada tinha em minhas mãos
Mais do que nada
Havia tristeza
Silêncio nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Era um sonho transformado em mentira
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

Não havia mais caminho
E eu sozinho...
...ainda pedia perdão
E o tempo sempre passa
E continua a dizer não







Wednesday, November 5, 2014

Cartas de amor

Quero lhe escrever uma carta de amor
Mas não amo!
Eu não amo!

Uma carta de amor
de um tamanho sem medida
de uma espera sem partida
de um pecado sem maldade
de um golpe sem ferida
sem estrago, sem engano

Mas não posso
Pois não amo

Encontro palavras que me encontram
Versos que me assombram
Sentidos inexatos
Mensagens que me encantam

Mas não são de carta
e nem são de amor

E nesse mundo inerte e insano
Do amor, queria escrever as palavras

Mas não posso
Eu não posso
Pois não amo

Wednesday, October 15, 2014

Eu hoje vou te chamar de felicidade!

Eu hoje vou te chamar de felicidade!

Pelo tempo que você fez parte de mim
E pela vida toda, em que nunca deixará de fazer
Por ter segurado sua mão,
Ter colocado uma fita em seu cabelo e ter lhe dito: te amo - do fundo do coração.

Seu nome não é esse, mas hoje vou fazer de conta que felicidade é o seu nome.
Por tudo que não sabemos
Pelo que não somos capazes de entender
Pelo que não se explica,
- que não é a mesma coisa de não ter explicação.
Pelo acaso que não existe
Pela vida que continua - jamais se perde, jamais se desfaz!

Há tempos te demos um nome
Mas hoje vou te chamar de felicidade
Por ter tido tempo de segurar a sua mão
Ter colocado uma fita no seu cabelo
Por ter lhe dito te amo
E por saber que tudo isso talvez tenha feito mais por mim do que por você!

Não escolhemos o que vamos viver na vida
Mas sabemos que vamos vivê-la!
E que é preciso aprender
Que é preciso acreditar...

Só hoje, deixe-me chamá-la de felicidade
Em troca pode levar uma parte do que tenho de melhor
E antes de partir, deixe-me dizer-lhe
Obrigado!
Obrigado por ter vindo
Obrigado por me ensinar
E até um outro dia (ou todos eles se preferir)
Porque acredito na vida
Porque acredito no amor
Porque acredito em anjos!

Um beijo




(para a pequena Laura, que nos deixou coisas muito
boas que vão ficar (e vai ficar!) pra sempre)
17 fevereiro 2009



Tuesday, October 14, 2014

Corpo e Alma

Quando a imagem do corpo é um retrato da alma
Luz e sombra se confundem num balé insano
Desafiando o que é humano
Insinuando o que é desejo
Tomando pra si o que é divino.
Explodindo sentidos atrás dos olhos
  que não escondem mais nem o desespero da busca,
  nem o o cansaço da caminhada...

...a beleza violentamente rompe a calma
Quando a imagem do corpo é um retrato da alma





Monday, October 13, 2014

O beijo

Eu esperava o amor
Quando me veio um beijo
Rápido, imprudente
Completamente desprovido de intenção ou cuidado
E por um instante
Eu não era mais o sonhador:
- Eu era o sonho!

Por um instante
O tempo era então, os olhos fechados
E o silêncio era tua respiração

Por um instante
Eu era uma canção
- uma linda canção sem motivo ou conseqüência

Eu esperava o amor
Quando me veio o beijo pra me mostrar
Que por um instante
Eu não precisava mais esperar -


                  - Esperar pelo amor

                     ou pelo simples sentimento de estar vivo





Monday, September 29, 2014

Os dias de teu silêncio

Nos dias em que vivíamos os dias de teu silêncio
o céu estava um pouco menos azul
os dias um pouco mais longos
o universo um pouco mais infinito
e os teus olhos um pouco mais profundos
- de uma profundidade serena em quietude e simplicidade.


Nesses dias a respiração era um pouco mais lenta
a ausência mais barulhenta
meus olhos mais abertos
minhas mãos mais inquietas.


Nos dias em que vivíamos os dias de teu silêncio
eu falava mais...
...muito mais com muito mais gente
Eu falava com o sol pra aquecesse tua pele!
Falava com o vento pra acariciar os teus cabelos!
Falava com as flores pra que trouxessem mais cores pro teu dia.
Falava com as palavras pra que te trouxessem poesia
E sobretudo
Falava com os sonhos pra que encontrassem teu silêncio
E o tirassem pra dançar e rodopiar e sorrir...
...e dançar!

Eu não estava lá!
Mas em meu lugar mandei o dia esperar pelas janelas...
...contemplar esse silêncio...
...e te fazer companhia...
...naqueles dias em que vivíamos os dias de teu silêncio!!




Sunday, September 14, 2014

A fadinha do dente e a menininha

Este vídeo foi publicado em 2011 e a idéia era apenas juntar imagens pra celebrar uma ocasião especial. No entanto, no meio do caminho, surgiu uma história, que virou um roteiro extremamente poético e bonito.

Esse é o meu vídeo mais visto - e o único que a cada dia continua sendo visto por aí a fora. Ele ainda me ensina muito - não sei se é a fada ou a menininha.


Monday, September 8, 2014

Histórias de Amor


Histórias de amor sempre têm um final feliz
Porque o amor
  é aquilo que não tem fim
  não tem limites
  nem tampouco explicação!

Acaba a história
Mas nunca o amor!

E o feliz dessa história que termina
É a história que fica:
Uma história de amor
Viva em cores e formatos

O final pode trazer dor
  mas uma dor que não é maior que a história
Pode trazer tristeza
  mas uma tristeza que não é maior que o amor
  porque se forem maiores
  não foi amor o que se viveu
  - foi alguma outra confusão do espírito humano, mas não amor.
Pois o amor não é pequeno
Assim como não é a história.

O final pode ser breve e pontual
Não a história
Nem o amor

E por isso viver uma história de amor
Nunca é triste
Nunca é vago
Nunca é pouco

Onde existiu uma história de amor
Existirá sempre a lembrança

 - não a lembrança do final
   mas a lembrança da história
   e a intensidade do amor vivido
 - não o amor que foi levado
   mas o amor que vive dentro de você,
   e dentro de você sempre estará.

E por isso lhes digo:
Histórias de amor sempre têm um final feliz
Porque por mais que tenha havido um final
O que se viveu foi uma história de amor

E o amor é aquilo que não tem fim!