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Tuesday, December 16, 2014

Detalhes infinitos

O espelho e a casa vazia
A escuridão das luzes apagadas
O silêncio de nenhuma voz
E o de minha voz calada

A luz que entra pelas frestas
e o descaso das cortinas fechadas
A bagunça que não se mexe há dias
E as portas abertas por onde ninguém passa

Tudo isso são detalhes infinitos
Não há como fugir
E nem como me fazer ficar

Não há resposta à pergunta não feita
Nem cicatriz pra essa ferida exposta
O que existe é o tempo e a poeira

Além do infinito no detalhe de meus olhos fechados!






Tuesday, November 18, 2014

Janelas Fechadas

As pessoas não ficam mais sozinhas,
e por isso se tornaram solitárias.
Aprenderam a olhar pela janela sem abrir a janela -
   as janelas de um mundo que não pode ser tocado

Tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é solitário
Tudo é solidão

A solidão
Que antes era o estado de não se ter alguém por perto
É hoje a solidão de não se ter nem a si mesmo
Pois não ficamos mais sozinhos!

Pela janela tudo pode ser visto
Mas o que vemos está morto
Do outro lado da janela tudo é morto
Frio e inerte como o vidro

Não reflete nossa imagem
Mas reflete o que estamos nos tornando
Coisas frias e inertes
Diante de uma janela

Hipnotizados por suas cores
E por suas falsas possibilidades
Não olhamos para os lados
Não ouvimos outras vozes
Não brilhamos pra outros olhos

Ganhamos muitas coisas
E perdemos mais que todas elas
Pois agora tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é morto
Do outro lado da janela

Escrevo minha poesia como quem procura pedras!







Thursday, November 13, 2014

Somos Instantes

Somos instantes
Às vezes distantes
Muitas vezes sozinhos
Do amor desses caminhos,
Somos amantes
Nesse andar curvo e delirante
Somos desalinho

Da aventura das palavras

Somos o verso
Às vezes inverso
Muitas vezes sem sentido
Das certezas desses caminhos
Somos o incerto
No andar dúbio e incorreto
Somos destino

Enfim,
dos lugares desse mundo

Somos horizontes
Intocáveis, descontínuos
Quase sempre imprecisos
Da beleza desses caminhos
Somos o espelho
E da imagem que vemos no espelho,
Desconhecidos

Das armas, o gatilho
Das rosas, os espinhos

Das janelas, somos a pedra
Das correntes, o elo perdido
Dos generais, somos a ordem
E de nós mesmos,
                             os inimigos


Monday, September 29, 2014

Os dias de teu silêncio

Nos dias em que vivíamos os dias de teu silêncio
o céu estava um pouco menos azul
os dias um pouco mais longos
o universo um pouco mais infinito
e os teus olhos um pouco mais profundos
- de uma profundidade serena em quietude e simplicidade.


Nesses dias a respiração era um pouco mais lenta
a ausência mais barulhenta
meus olhos mais abertos
minhas mãos mais inquietas.


Nos dias em que vivíamos os dias de teu silêncio
eu falava mais...
...muito mais com muito mais gente
Eu falava com o sol pra aquecesse tua pele!
Falava com o vento pra acariciar os teus cabelos!
Falava com as flores pra que trouxessem mais cores pro teu dia.
Falava com as palavras pra que te trouxessem poesia
E sobretudo
Falava com os sonhos pra que encontrassem teu silêncio
E o tirassem pra dançar e rodopiar e sorrir...
...e dançar!

Eu não estava lá!
Mas em meu lugar mandei o dia esperar pelas janelas...
...contemplar esse silêncio...
...e te fazer companhia...
...naqueles dias em que vivíamos os dias de teu silêncio!!




Monday, September 22, 2014

Ontem

Ontem pela manhã ouvi o som de portas batendo
Janelas se fechando
Cortinas deslizando,
   bloqueando a claridade do sol
Pensei que fosse a tempestade chegando
Mas não era.

Era só a vida!

Só a vida!!