Prefiro o mundo visto pelos olhos de uma criança
nesse mundo existe a fome
existe o medo
existe a miséria
existe a dor
existe o frio
existe a morte
mas no final de todas essas coisas,
um sorriso
no final de todas essas coisas
existe esperança
a crença inabalável de que a bondade vai chegar
...mas a bondade não chega
...e um dia ela percebe que a bondade não existe!
Nesse dia
Ela deixa de ser criança para sempre!
No auge de minha montanha de miséria e sujeira
Mergulhei dentro de mim mesmo dilacerando carne e osso
Cavando na pele até o ponto mais profundo
Buscando o que restou dessa criança
Porque eu preciso do mundo visto pelos olhos de uma criança
Pois só assim
É possível suportar viver a vida!
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Friday, October 9, 2015
Nos olhos de uma criança
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Thursday, January 15, 2015
O mundo vai acabar
O mundo vai acabar
Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem te abraçar
O mundo vai acabar
Sem pedir licença
Sem pedir desculpas
Sem pedir perdão
O mundo vai acabar
Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem te abraçar
O mundo vai acabar
Sem que eu te encontre
Sem que eu me encontre
Sem me libertar
O mundo vai acabar
Sem pedir licença
Sem pedir desculpas
Sem pedir perdão
O mundo vai acabar
Sem nos dar abrigo
Sem nos dar alento
Sem nos dar alento
Sem explicação
O brilho dos teus olhos
O brilho do teu mundo
Assim bem de repente
Pois mundo vai acabar
Sem deixar histórias
Sem deixar memórias
Só a tristeza vai ficar
Porque o mundo vai acabar
Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem me encontrar
O brilho do teu mundo
Assim bem de repente
Nada, nada vai restar
Pois mundo vai acabar
Sem deixar histórias
Sem deixar memórias
Só a tristeza vai ficar
Porque o mundo vai acabar
Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem me encontrar
Tuesday, November 18, 2014
Janelas Fechadas
As pessoas não ficam mais sozinhas,
e por isso se tornaram solitárias.
Aprenderam a olhar pela janela sem abrir a janela -
as janelas de um mundo que não pode ser tocado
Tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é solitário
Tudo é solidão
A solidão
Que antes era o estado de não se ter alguém por perto
É hoje a solidão de não se ter nem a si mesmo
Pois não ficamos mais sozinhos!
Pela janela tudo pode ser visto
Mas o que vemos está morto
Do outro lado da janela tudo é morto
Frio e inerte como o vidro
Não reflete nossa imagem
Mas reflete o que estamos nos tornando
Coisas frias e inertes
Diante de uma janela
Hipnotizados por suas cores
E por suas falsas possibilidades
Não olhamos para os lados
Não ouvimos outras vozes
Não brilhamos pra outros olhos
Ganhamos muitas coisas
E perdemos mais que todas elas
Pois agora tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é morto
Do outro lado da janela
Escrevo minha poesia como quem procura pedras!
e por isso se tornaram solitárias.
Aprenderam a olhar pela janela sem abrir a janela -
as janelas de um mundo que não pode ser tocado
Tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é solitário
Tudo é solidão
A solidão
Que antes era o estado de não se ter alguém por perto
É hoje a solidão de não se ter nem a si mesmo
Pois não ficamos mais sozinhos!
Pela janela tudo pode ser visto
Mas o que vemos está morto
Do outro lado da janela tudo é morto
Frio e inerte como o vidro
Não reflete nossa imagem
Mas reflete o que estamos nos tornando
Coisas frias e inertes
Diante de uma janela
Hipnotizados por suas cores
E por suas falsas possibilidades
Não olhamos para os lados
Não ouvimos outras vozes
Não brilhamos pra outros olhos
Ganhamos muitas coisas
E perdemos mais que todas elas
Pois agora tudo é vidro
Tudo é medo
Tudo é morto
Do outro lado da janela
Escrevo minha poesia como quem procura pedras!
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Thursday, November 13, 2014
Somos Instantes
Somos instantes
Às vezes distantes
Muitas vezes sozinhos
Do amor desses caminhos,
Somos amantes
Nesse andar curvo e delirante
Somos desalinho
Da aventura das palavras
Somos o verso
Às vezes inverso
Muitas vezes sem sentido
Das certezas desses caminhos
Somos o incerto
No andar dúbio e incorreto
Somos destino
Enfim,
dos lugares desse mundo
Somos horizontes
Intocáveis, descontínuos
Quase sempre imprecisos
Da beleza desses caminhos
Somos o espelho
E da imagem que vemos no espelho,
Desconhecidos
Das armas, o gatilho
Das rosas, os espinhos
Das janelas, somos a pedra
Das correntes, o elo perdido
Dos generais, somos a ordem
E de nós mesmos,
os inimigos
Às vezes distantes
Muitas vezes sozinhos
Do amor desses caminhos,
Somos amantes
Nesse andar curvo e delirante
Somos desalinho
Da aventura das palavras
Somos o verso
Às vezes inverso
Muitas vezes sem sentido
Das certezas desses caminhos
Somos o incerto
No andar dúbio e incorreto
Somos destino
Enfim,
dos lugares desse mundo
Somos horizontes
Intocáveis, descontínuos
Quase sempre imprecisos
Da beleza desses caminhos
Somos o espelho
E da imagem que vemos no espelho,
Desconhecidos
Das armas, o gatilho
Das rosas, os espinhos
Das janelas, somos a pedra
Das correntes, o elo perdido
Dos generais, somos a ordem
E de nós mesmos,
os inimigos
Monday, November 3, 2014
...porque a vida não é mais que recomeços
...e então foi assim:
Tirei a poeira das mãos
Tirei o mundo dos ombros
Limpei as lágrimas dos olhos
Fingi que ainda tinha forças
Fingi que ainda tinha vontade
Forjei o que ainda faltava
...e segui como quem sabe pra onde vai.
Porque não podia mais esperar
Porque não podia mais me calar
Porque não aguentava mais morrer
Morrer de agonia
Morrer de desgosto
Morrer de desesperança
...me vesti de uma fantasia qualquer
e fui adiante
Pois não havia mais o que temer
Não havia mais nada a perder
Não havia mais dor desconhecida
Nem a dor do silêncio
Nem a dor do desprezo
Nem a dor dessa vida
Tirei a poeira das mãos
Tirei o mundo dos ombros
Limpei as lágrimas dos olhos
Fingi que ainda tinha forças
Fingi que ainda tinha vontade
Forjei o que ainda faltava
...e segui como quem sabe pra onde vai.
Porque não podia mais esperar
Porque não podia mais me calar
Porque não aguentava mais morrer
Morrer de agonia
Morrer de desgosto
Morrer de desesperança
...me vesti de uma fantasia qualquer
e fui adiante
Pois não havia mais o que temer
Não havia mais nada a perder
Não havia mais dor desconhecida
Nem a dor do silêncio
Nem a dor do desprezo
Nem a dor dessa vida
Friday, October 31, 2014
Vossa Excelência - parte I de III
Vossa Excelência - parte I de III
(Ver notas 1, 2)
Concluída a pauta na casa legislativa
O dia se encaminhava pra um desfecho ordinário
Palavras finais se alternavam brevemente
Até que a calmaria foi perturbada abruptamente
Por um dos presentes com seu discurso panfletário
Um deputado conhecido por suas idéias progressistas
Acusa um outro deputado, desafeto de família
Sem causa específica ou razão aparente
A palavra é tomada de forma imprudente
Acabando com qualquer sombra de monotonia
"Senhor presidente lhe peço a palavra
E me dirijo ao colega, nobre deputado
Cujo a conduta me trouxe a necessidade
De entoar um discurso e mostrar a verdade
Sobre o que tenho visto de torto e de errado
Fostes eleito pelo voto do povo
A quem prometeu trabalhar noite e dia
No entanto os frutos de vossa empreitada
Caíram todinhos em vossa calçada
E dentro das cercas de vossa família."
Ao perceber que estava sendo acusado
O deputado interrompe sem ser convidado:
"Pela ordem, a palavra, senhor presidente
O nobre colega me falta com o respeito
Vossa Excelência faz da brisa, tempestade
Entoa a mentira e lhe chama de verdade
E omite que, assim como eu, foste eleito
Fizeste promessa de acabar com a miséria
E anunciaste a chegada de um novo tempo
Mas se olhares os feitos dessa trajetória
Não precisas nem mesmo apelar pra memória:
Quem vivia sem casa ainda dorme ao relento!"
Inconformado por ter sido interrompido
O acusador retoma a palavra enfurecido:
"Não concedo o aparte à Vossa Excelência
Que altera os rumos dessa minha falaDistorces a verdade com eloqüência
Diante dos ricos mostras subserviência
E diante da miséria, se omite e se cala
Nas prerrogativas de vosso mandato
Está a defesa desse povo carente
Mas ao que parece a vossa ganância
Mostra refinamento e muita elegância
Enquanto dá as costas a toda essa gente."
O acusado então - deputado experiente
Ainda sem ser convidado, interrompe novamente:
"Pela ordem interrompo, senhor presidente
O nobre colega atenta à razão
Botando em questão minha honestidade
Quer fazer da miséria exclusividade
Quando ela é um patrimônio dessa nação
A elegância da qual o colega me acusa
Pode ser encontrada em vosso terno engomado
e a gente importante que lido com freqüência
São os mesmos que brindam com Vossa Excelência
Nem sempre questões referentes ao Estado."
O acusador então, diante de tal assertiva
Eleva o tom da conversa pra terminar de forma incisiva:
Por seres leviano e mal-educado
Vociferas bobagens buscando a tangente
Com um sorriso nos lábios e a alma contente
Disfarçando as mazelas de que és culpado
Termino dizendo que nada tenho a esconder
Nem mesmo as incoerências dessa democracia
Mas não vendo minha honra e exijo respeito
De Vossa excelência que não tens o direito
E nem tens moral pra me acusar de vilania!"
O acusado nem esperou o final da sentença
Levantou-se e retrucou já com pouca paciência:
"Meu caro colega, se respeito é o que queres
Deverias pensar antes de abrires a boca
Pois falar em demasia além de inconveniente
Pode causar desconforto e fazer muito mal aos dentes
Pois falar em demasia além de inconveniente
Pode causar desconforto e fazer muito mal aos dentes
deixando seqüelas maiores do que apenas a voz rouca
Me alegra saber que o nobre colega
Termina seu discurso e sai de mansinho
Vaidoso que és tens bastante a perder
Pois também sei bastante e tenho muito a dizer
E das mazelas do ofício não padeço sozinho!"
Com a pele vermelha e a faca entre os dentes
Ambos deixam a palavra e partem pra agressão
Os demais deputados evitam o vexame
Tirando os combatentes daquele certame
Enquanto o presidente encerrava a sessão
O debate caloroso na casa legislativa
Não gerou punição ou conseqüências pelo fato
As regras do jogo todos sabem com clareza
Após cada eleição há uma única certeza
De que ambos lá estarão para mais um novo mandato.
Notas do autor:
1. Os pronomes e a concordância verbal através dos versos refletem primeiramente
a linguagem corrente utilizada pelos parlamentares e não necessariamente
a norma culta.
a linguagem corrente utilizada pelos parlamentares e não necessariamente
a norma culta.
2. O poema se refere a uma situação fictícia, reproduzindo o ambiente
historicamente presente na política dos "coronéis", não só no Brasil como em outros países,
não tendo nenhuma relação direta, à princípio, das personagens
do poema com políticos da cena atual brasileira.
não tendo nenhuma relação direta, à princípio, das personagens
do poema com políticos da cena atual brasileira.
Friday, October 17, 2014
O Sorriso
Ele voltou a sorrir
Dos insultos, fez música
Da morte, fez saudade
Do coração partido, fez um vaso
e nesse vaso colocou flores
Da partida, fez boas lembranças
E da dor, fez um longo suspiro
Das feridas, fez cicatriz
e sobre elas, tatuagem
Da esperança roubada, fez horizonte
E das cinzas, fez quarta-feira
Do inimigo, fez o motivo
pra não se tornar como o inimigo
E ele voltou a sorrir
Sem que houvesse razão aparente
Sem nada de novo, ou de diferente
Ele voltou a sorrir como antes
Mas o seu sorriso já não era o mesmo
E os olhos cansados deixavam escapar
Que ele sabia
Mas o seu sorriso já não era o mesmo
E os olhos cansados deixavam escapar
Que ele sabia
Que nunca mais seria
Mas esse é um detalhe que não importa ao mundo!
Entregue ao mundo um sorriso
E ele não te devolverá perguntas
Sorria!
Mas esse é um detalhe que não importa ao mundo!
Entregue ao mundo um sorriso
E ele não te devolverá perguntas
Sorria!
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