Hoje não tenho nada que seja meu... ...nem palavras. Entrei no quarto de meu filho que dormia, pra acalmar-lhe a "tosse de outono": não faz mal mas atrapalha o sono. Após lhe dar um gole de água - com a nítida impressão que ele o fez sem sequer acordar, passei alguns minutos acariciando os cabelos e pensando... ...pensando... ...pensando no poder das mãos acariciando cabelos... ...pensando nas mãos que não tive... ...nos cabelos que não posso alcançar... ...pensando em minhas mãos, e nos cabelos de meu filho!
Passaram mais minutos do que pude perceber... ...a tosse também passou!!
Sai do quarto e novamente me fiz de alvo, vidraça pra todas as luzes.
Hoje não tenho nada que seja meu...
...nem palavras!!!
(escrito em 28 de Outubro de 2012 - Facebook me lembrou)
Prefiro o mundo visto pelos olhos de uma criança nesse mundo existe a fome existe o medo existe a miséria existe a dor existe o frio existe a morte mas no final de todas essas coisas, um sorriso no final de todas essas coisas existe esperança a crença inabalável de que a bondade vai chegar ...mas a bondade não chega ...e um dia ela percebe que a bondade não existe! Nesse dia Ela deixa de ser criança para sempre! No auge de minha montanha de miséria e sujeira Mergulhei dentro de mim mesmo dilacerando carne e osso Cavando na pele até o ponto mais profundo Buscando o que restou dessa criança Porque eu preciso do mundo visto pelos olhos de uma criança Pois só assim É possível suportar viver a vida!
Ele era uma menina aprendendo a caminhar Ela era um garoto aprendendo a viver Ele era cor-de-rosa no uniforme todo azul Ela era azul-marinho com uma fita na cabeça Ele tinha maquiagem mas o espelho não mostrava Ela usava maquiagem, mas no espelho não se via Ele era apaixonado pelo seu melhor amigo Ela era apaixonada pela garota mais bonita Eles eram o que queriam mas o mundo não entendia Só queriam se encontrar mas o mundo não queria Só queriam um lugar para serem o que já eram Mas o mundo veio e disse que não havia esse lugar Que eles não eram o que viam Que não sentiam o que sentiam Que não teriam o que esperavam E que somente a solidão é o que iriam encontrar Eles jamais se conheceram, mas trilharam o mesmo destino Ele num corpo de mulher, ela num corpo de menino Eles eram muito jovens e não puderam enxergar Que o tempo ensina a todos a encontrarem o seu lugar Não puderam suportar tanto rancor e violência E só a tristeza e a solidão foi o que tinham pra contar E pra fugir dessa tristeza se lançaram em pleno ar A menina cor-de-rosa do mais alto viaduto E o garoto azul-marinho, do edifício à beira-mar Só deixaram suas histórias para quem quiser contar Que ela era um garoto, e ele era uma menina Que fugiram dessa vida para tentar se libertar Da razão fria e doente que só enxerga o que quer enxergar Não dá espaço para o ser diferente E não tem a menor idéia Do que de fato seja amar
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Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio de jovens
entre 15 e 19 anos de idade é a quarta causa de morte entre os homens
e a terceira entre as mulheres. A proporção chega a ser 6 vezes maior que
a média em países onde questões culturais e religiosas coíbem as liberdades
individuais. Nesse mundo há muita coisa errada, e individualmente somos
muito pequenos pra lidar com tudo ao mesmo tempo. Mas é sempre possível
olhar para o lado, abandonar velhos conceitos , aprender e ensinar aos nossos
jovens que aceitação, carinho, amizade e compreensão, são ferramentas