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Friday, February 20, 2015

Morrer

Não desejo a morte porque quero que tudo termine
Desejo a morte por que quero começar outra vida
Logo!!

Logo, não desejo a morte!

Dessa vida
Somos as coisas perdidas
Histórias que não sabem como acabar.

Um dia me canso
E me acabo

Mas a morte...
...não terá nada a ver com isso!





Friday, January 23, 2015

Notas Poéticas: "Fogo" (#5 de 14)


O fogo ardente, amargo e distante
Errante, demente
Ilumina meu corpo
Corrompe, subverte
uma mente incandescente
De prazeres e paixões
Insensatos sentimentos 
De um pobre coração.










Thursday, January 15, 2015

O mundo vai acabar

O mundo vai acabar
Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem te abraçar


O mundo vai acabar
Sem que eu te encontre
Sem que eu me encontre
Sem me libertar

O mundo vai acabar 

Sem pedir licença
Sem pedir desculpas
Sem pedir perdão

O mundo vai acabar

Sem nos dar abrigo
Sem nos dar alento
Sem explicação

O brilho dos teus olhos
O brilho do teu mundo
Assim bem de repente
Nada, nada vai restar

Pois mundo vai acabar

Sem deixar histórias
Sem deixar memórias
Só a tristeza vai ficar

Porque o mundo vai acabar

Sem eu te beijar
Sem tocar teu corpo
Sem me encontrar





Monday, January 5, 2015

Ele era uma menina




Ele era uma menina
aprendendo a caminhar
Ela era um garoto
aprendendo a viver
Ele era cor-de-rosa
no uniforme todo azul
Ela era azul-marinho
com uma fita na cabeça
Ele tinha maquiagem
mas o espelho não mostrava
Ela usava maquiagem,
mas no espelho não se via
Ele era apaixonado
pelo seu melhor amigo
Ela era apaixonada
pela garota mais bonita

Eles eram o que queriam
mas o mundo não entendia
Só queriam se encontrar
mas o mundo não queria
Só queriam um lugar
para serem o que já eram
Mas o mundo veio e disse
que não havia esse lugar
Que eles não eram o que viam
Que não sentiam o que sentiam
Que não teriam o que esperavam
E que somente a solidão
é o que iriam encontrar

Eles jamais se conheceram,
mas trilharam o mesmo destino
Ele num corpo de mulher,
ela num corpo de menino
Eles eram muito jovens
e não puderam enxergar
Que o tempo ensina a todos
a encontrarem o seu lugar
Não puderam suportar
tanto rancor e violência
E só a tristeza e a solidão
foi o que tinham pra contar

E pra fugir dessa tristeza
se lançaram em pleno ar
A menina cor-de-rosa
do mais alto viaduto
E o garoto azul-marinho,
do edifício à beira-mar

Só deixaram suas histórias
para quem quiser contar
Que ela era um garoto,
e ele era uma menina
Que fugiram dessa vida
para tentar se libertar
Da razão fria e doente
que só enxerga o que quer enxergar
Não dá espaço para o ser diferente
E não tem a menor idéia
Do que de fato seja amar


__________________________

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio de jovens
entre 15 e 19 anos de idade é a quarta causa de morte entre os homens
e a terceira entre as mulheres. A proporção chega a ser 6 vezes maior que 
a média em países onde questões culturais e religiosas coíbem as liberdades
individuais. Nesse mundo há muita coisa errada, e individualmente somos
muito pequenos pra lidar com tudo ao mesmo tempo. Mas é sempre possível
olhar para o lado, abandonar velhos conceitos , aprender e ensinar aos nossos
jovens que aceitação, carinho, amizade e compreensão, são ferramentas
poderosas pra construirmos um  mundo melhor!




Monday, December 29, 2014

O Corpo

No corpo
Encontro os limites daquilo que entendo
Mas não os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de suas palavras
Viajo com o vento
E me rendo ao toque dos teus sentimentos
E sinto o calor que carrega o teu sangue
E o gosto salgado de teus pensamentos
E o cheiro molhado que tem teus desejos
E os sons indecentes dos teus olhos fechados
Hesitantes
Excitantes
Exilados
Em delírio, delirantes
Aprendendo com a noite
Até a noite acabar!

Dos limites desse corpo 
Traço fronteiras que de fato não tenho
Que se expandem
Que te encontram
Adormecem em um sonho
Sem ter medo de acordar
E acordam desse sonho
Nos limites desse corpo 
Onde encontro os limites daquilo que entendo
Mas nunca os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de teus beijos molhados
Sou apenas humano
Nada mais que pecado
Aprendendo com a vida
Até a vida acabar!





Wednesday, November 26, 2014

Escrever

Enterrado sob sonhos que já nem me lembro

Escrevo mensagens de um coração aflito
Mas escrever não muda nada
Não move nada
Nada resolve

A mão que escreve não é firme o bastante
Os olhos não vêem o suficiente
As pernas não encontram o caminho a seguir
O corpo é o limite
Os dias sem fim
O tempo, ilusão
E a morte...

...a morte é o afago que não cabe nesse quadro!

Tuesday, November 25, 2014

O garoto preto


O garoto era pobre
E se perdeu por um sonho
Se encontrou na realidade ausente
E deu um tiro em sua própria imagem
A miragem era ódio
Era um anjo
Era deus
O único deus que poderia dar de volta
Aquilo que o mundo havia lhe roubado

O garoto era preto
E se vendeu por um sonho
Se encontrou na realidade branca
E deu um tiro em sua própria crença
Na presença do ódio
Era um anjo
Era deus
O único deus que poderia levar embora
Toda desgraça que o mundo havia lhe dado

Pois sim ele era......era só um garoto
Que enfim sofreu por um sonho
Se encontrou numa realidade doente
E deu um tiro em sua própria cabeça
Na imagem do ódio
Virou um anjo
Virou um Deus
O único deus que poderia levá-lo embora
E enfim livrá-lo de todo mal, Amém!




Essa é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas,
lugares e fatos reais, terá sido mera coincidência.

Montréal, 24 de novembro de 2014



Friday, November 14, 2014

Poema



Encontre-me além desse poema
Além do vazio e das canções
Ensina-me o preço dos teus erros
Permita-me o erro das paixões

Entrega-me o vício que te invade
Entrega-me o filho que em ti cresce
Serei a melhor de tuas memórias
Serei o poema que te escreve

Do brilho que dorme em teus olhos
Serei a vertigem que te aquece
O ar que navega o teu corpo
A mão que em teu seio adormece

Tal qual essa vida de ilusões
Te invento nas cores dessa cena
Além da virtude das canções
Encontre-me além desse poema



Tuesday, October 14, 2014

Corpo e Alma

Quando a imagem do corpo é um retrato da alma
Luz e sombra se confundem num balé insano
Desafiando o que é humano
Insinuando o que é desejo
Tomando pra si o que é divino.
Explodindo sentidos atrás dos olhos
  que não escondem mais nem o desespero da busca,
  nem o o cansaço da caminhada...

...a beleza violentamente rompe a calma
Quando a imagem do corpo é um retrato da alma