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Saturday, July 11, 2015

Partidas

Te entrego o olhar
Afago teu rosto
Um cheiro, um beijo
E último abraço

E os corpos se afastam
E as mãos se desenlaçam
E não há mais o toque
E o corpo que se move ainda de costas decide virar
E os pulmões buscando coragem respiram mais forte

E os olhos que escondem a angústia impõe um último olhar
Até que o coração buscando ser forte
Toma as rédeas da sorte
E decide não mais olhar pra trás

Adeus








Há 10 dias eu e Thaïs lançamos, enfim,
o nosso projeto que teve início em outubro passado.
Sobre as "Partidas" de nossas vidas, fizemos poesia.
E a poesia virou música, e a música  - como fazem as boas músicas -
se transforma novamente em sentimentos aos ouvidos de quem escuta!

É assim Partidas!
As partes!
O Adeus!

Friday, January 16, 2015

Assassinato

E a manchete dizia o seguinte:
"Oprimido mata Opressor com requintes de crueldade!"
Foi na noite do santo padroeiro
Que a tragédia se deu por inteiro
Assustando a gente daquela cidade

Todos estamos solidários às famílias de ambas as vítimas:
A vítima do assassinato
E a vítima da opressão
Mas só pra primeira teve passeata
Discurso de gente importante
E cobertura na televisão

Pois só a primeira é de fato um crime
Sendo a segunda, fato casual
Que acontece todos os dias
Não vende slogan na camiseta
Nem primeira página de jornal

Ao povo do assassinado

Vítima de uma mente doente
Que se deu o direito de tirar uma vida
Fica a dor, o desespero
E o gosto amargo dessa saudade

Ao povo do assassino

Vítimas duplamente
Da mesma mente doente
E do opressor cruel e consistente
Fica a etiqueta de terroristas
De mensageiros de toda maldade

Enquanto isso nas catedrais

Os assassinos oficiais
Alinham o terno e a gravata 
E vão pra rua em passeata lutar pela liberdade
E tirar foto pro jornal pra depois usar na eleição
Pois oprimir nunca foi crime
E matar de fome e esquecimento
Não merece nossa atenção



(ao atentado de 7 janeiro de 2015 que matou 12 pessoas em Paris, ao atentado de 9 de janeiro que matou mais de 2000 pessoas invisíveis na Nigéria, a à todos os outros que acontecem nas favelas e guetos mundo a fora e matam milhões de outros invisíveis e não são importantes o suficiente pra nos mobilizarmos)






Wednesday, January 14, 2015

Liberdade


Apareceu no fim do mundo
               a liberdade que eu não via

Apareceu no fim do dia
               a liberdade que eu pedi

Não era céu, nem era a morte 
               a liberdade que surgia

Era você e o seu amor
               na liberdade de sentir



Monday, January 5, 2015

Ele era uma menina




Ele era uma menina
aprendendo a caminhar
Ela era um garoto
aprendendo a viver
Ele era cor-de-rosa
no uniforme todo azul
Ela era azul-marinho
com uma fita na cabeça
Ele tinha maquiagem
mas o espelho não mostrava
Ela usava maquiagem,
mas no espelho não se via
Ele era apaixonado
pelo seu melhor amigo
Ela era apaixonada
pela garota mais bonita

Eles eram o que queriam
mas o mundo não entendia
Só queriam se encontrar
mas o mundo não queria
Só queriam um lugar
para serem o que já eram
Mas o mundo veio e disse
que não havia esse lugar
Que eles não eram o que viam
Que não sentiam o que sentiam
Que não teriam o que esperavam
E que somente a solidão
é o que iriam encontrar

Eles jamais se conheceram,
mas trilharam o mesmo destino
Ele num corpo de mulher,
ela num corpo de menino
Eles eram muito jovens
e não puderam enxergar
Que o tempo ensina a todos
a encontrarem o seu lugar
Não puderam suportar
tanto rancor e violência
E só a tristeza e a solidão
foi o que tinham pra contar

E pra fugir dessa tristeza
se lançaram em pleno ar
A menina cor-de-rosa
do mais alto viaduto
E o garoto azul-marinho,
do edifício à beira-mar

Só deixaram suas histórias
para quem quiser contar
Que ela era um garoto,
e ele era uma menina
Que fugiram dessa vida
para tentar se libertar
Da razão fria e doente
que só enxerga o que quer enxergar
Não dá espaço para o ser diferente
E não tem a menor idéia
Do que de fato seja amar


__________________________

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio de jovens
entre 15 e 19 anos de idade é a quarta causa de morte entre os homens
e a terceira entre as mulheres. A proporção chega a ser 6 vezes maior que 
a média em países onde questões culturais e religiosas coíbem as liberdades
individuais. Nesse mundo há muita coisa errada, e individualmente somos
muito pequenos pra lidar com tudo ao mesmo tempo. Mas é sempre possível
olhar para o lado, abandonar velhos conceitos , aprender e ensinar aos nossos
jovens que aceitação, carinho, amizade e compreensão, são ferramentas
poderosas pra construirmos um  mundo melhor!




Wednesday, December 3, 2014

"Desviante"

Toda arte deveria ser um desvio
Um desvio da norma
Um desvio do que se espera

Não um atalho
Mas um caminho mais intenso
Ser do senso, o contra-senso
Da mesa posta, ser o faminto

De cada resposta
Ser a nova pergunta
Pois a arte não responde!

Se junta ao devaneio
E a urgência do artista
em subverter-se
revolucionar-se
incendiar-se de incertezas
diante da certeza de estar vivo

A arte desvia o caminho certo
rumo ao incerto
Repleto de possibilidades
Sedento de paixões
Entregue aos desejos
de uma alma que é humana
Incompleta
Imperfeita e livre

Livre pra explorar caminhos novos
E duvidar do que é certo
Duvidar do que é óbvio
Duvidar do que é sagrado
idolatrado e subserviente

E essa mesma liberdade
Cheia de paixão e rebeldia
Subverte mesmo o artista e anuncia
Ser o desvio da própria arte

E dessa arte que se encontra no desvio
Nasce a paixão, a rebeldia e a liberdade
E desse todo são a parte e a contra-parte
Por serem elas o desvio da própria arte





Monday, November 24, 2014

A Pedra


A Pedra
lançada quebra a vidraça
Em minhas botas é como um espinho 
Nas mãos pode ser arma
No chão é só caminho

O garoto
em silêncio prepara a pedrada
Só precisa de um corpo e de muita coragem
Nas mãos é coração
No ar é liberdade

O mundo parece não gostar de garotos...

...nem de pedras!