...e ele era tão moço ainda!
Rapaz inteligente, bonito, bem-educado...
Tinha a vida inteira pela frente!
Mas a doença o consumiu lentamente até o fim
Na certidão de óbito o registro preciso e minucioso da causa de sua morte:
Morreu de tristeza!
Fui testemunha de sua batalha!
Lutou com todas as forças pela vida
Nunca deixou de ter esperança
Mesmo nos piores dias
quando perguntado, simplesmente sorria
E dizia estar bem
Mas a dor...
...ah a dor era insuportável!
Dor generalizada
Os exames não conseguiram detectar a origem
Mas no peito era onde doía mais!
Até que não pode mais suportar!!
E se foi!!!
Nos últimos tempos nem parecia o mesmo
Perdera peso
Perdera os sonhos
O sorriso se foi!
A voz, antes firme decidida,
Fraca, já quase não saía.
A solidão, antes apenas desprezo
Se tornou fuga
E nessa fuga ele se foi
e não mais voltou!!
Talvez tenha se perdido
Ou simplesmente já não queria mais voltar
A família, exausta pelo fardo
diz que enfim ele descansou.
Mas pra mim ele apenas morreu!
Ontem mesmo o vi perambulando pelas ruas do bairro
Ao passar por ele, o comprimentei
E olhando em seus olhos não o encontrei
Não havia mais nada por lá!
De fato ele morreu!!
Morreu de tristeza!!!
Uma pena
Pois ele era tão moço...
...ainda!
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Tuesday, October 27, 2015
Friday, January 16, 2015
Assassinato
E a manchete dizia o seguinte:
"Oprimido mata Opressor com requintes de crueldade!"
Foi na noite do santo padroeiro
Que a tragédia se deu por inteiro
Assustando a gente daquela cidade
Todos estamos solidários às famílias de ambas as vítimas:
A vítima do assassinato
E a vítima da opressão
Mas só pra primeira teve passeata
Discurso de gente importante
E cobertura na televisão
Pois só a primeira é de fato um crime
Sendo a segunda, fato casual
Que acontece todos os dias
Não vende slogan na camiseta
Nem primeira página de jornal
Ao povo do assassinado
Vítima de uma mente doente
Que se deu o direito de tirar uma vida
Fica a dor, o desespero
E o gosto amargo dessa saudade
Ao povo do assassino
Vítimas duplamente
Da mesma mente doente
E do opressor cruel e consistente
Fica a etiqueta de terroristas
De mensageiros de toda maldade
Nem primeira página de jornal
Ao povo do assassinado
Vítima de uma mente doente
Que se deu o direito de tirar uma vida
Fica a dor, o desespero
E o gosto amargo dessa saudade
Ao povo do assassino
Vítimas duplamente
Da mesma mente doente
E do opressor cruel e consistente
Fica a etiqueta de terroristas
De mensageiros de toda maldade
Enquanto isso nas catedrais
Os assassinos oficiais
Alinham o terno e a gravata
E vão pra rua em passeata lutar pela liberdade
E tirar foto pro jornal pra depois usar na eleição
Pois oprimir nunca foi crime
E matar de fome e esquecimento
Não merece nossa atenção
(ao atentado de 7 janeiro de 2015 que matou 12 pessoas em Paris, ao atentado de 9 de janeiro que matou mais de 2000 pessoas invisíveis na Nigéria, a à todos os outros que acontecem nas favelas e guetos mundo a fora e matam milhões de outros invisíveis e não são importantes o suficiente pra nos mobilizarmos)
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Thursday, January 1, 2015
O Primeiro
O primeiro traz a noção de justiça que o passado nos negou
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois do último que nos magoou
O primeiro é uma marca naqueles que carregam a esperança
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois de tantos que nos levaram pra bem longe
Dos primeiros
trago meus sentimentos de infância
os pés descalços na areia da praia
o sorriso fácil olhando pro futuro com a crença irresponsável de que agora tudo será diferente
Eu me lembro o que é isso
Eu me lembro de não estar cansado
Me lembro de saber de tudo
Mas não me lembro dos outros primeiros
Eles se foram
Levados pela decepção do porvir
Que nunca vem pra nos dar alento, boas novas ou vontade
Meu coração não celebra mais esse porvir
Incauto
me conduz por veredas que de fato
não tiveram começo nem tampouco terão fim
De fato, creio que nunca tive um primeiro
Tudo não passou de uma contínua linha de subjetividades
inventadas pra justificar a existência desse meu coração aflito.
Já estou farto de pequenas verdades!
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois do último que nos magoou
O primeiro é uma marca naqueles que carregam a esperança
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois de tantos que nos levaram pra bem longe
Dos primeiros
trago meus sentimentos de infância
os pés descalços na areia da praia
o sorriso fácil olhando pro futuro com a crença irresponsável de que agora tudo será diferente
Eu me lembro o que é isso
Eu me lembro de não estar cansado
Me lembro de saber de tudo
Mas não me lembro dos outros primeiros
Eles se foram
Levados pela decepção do porvir
Que nunca vem pra nos dar alento, boas novas ou vontade
Meu coração não celebra mais esse porvir
Incauto
me conduz por veredas que de fato
não tiveram começo nem tampouco terão fim
De fato, creio que nunca tive um primeiro
Tudo não passou de uma contínua linha de subjetividades
inventadas pra justificar a existência desse meu coração aflito.
Já estou farto de pequenas verdades!
Wednesday, December 24, 2014
Milícias
Não quero inventar as milícias de um coração em sofrimento
Há muito não vejo virtude, não vejo encanto ou despertar
Se cruel, sou então o canto de uma noite sem estrelas
Nessa noite dormirei sem o compromisso de acordar
E se então pela manhã houver a luz e um novo dia
Mais uma vez serei pequeno e solitário ao caminhar
Se por amor ou por vingança me procuram ao entardecer
Só sentimentos e alguns versos é o que devem encontrar
Não quero armas ou milícias pra proteger o que não tenho
Não tenho ouro ou virtudes pra me esconder da escuridão
No julgamento ou na tortura nada tenho a entregar
Além de estrelas que não vejo, e o coração em minhas mãos
Tuesday, December 23, 2014
Me desculpe
Me desculpe por não ter de fato nada bom a dizer
Me desculpe por não ser sorriso no dia de festa
Me desculpe por não vir dançar só por que tocam a música
Me desculpe por não te esconder que aqui não é o meu lugar
Me desculpe por não gargalhar da piada ensaiada
Me desculpe por não conversar as conversas banais
Me desculpe por não me vestir com as roupas da moda
Me desculpe por não estar ansioso para o próximo sábado
Me desculpe por não ter comprado uma pequena lembrança
Me desculpe por só possuir o que cabe em meu bolso
Me desculpe por não aceitar que o dinheiro me compre
Me desculpe por não me importar com o que dizem os outros
Me desculpe por não priorizar a limpeza da casa
Me desculpe por ignorar o rangido da porta
Me desculpe por não celebrar nossos falsos amigos
Me desculpe por não me iludir com promessas vazias
Me desculpe por não esquecer das desgraças do mundo
Me desculpe por não enviar sinais de esperança
Me desculpe por não acreditar que haverá um ano novo
Me desculpe por não inventar uma razão pra estar vivo
Me desculpe por não escrever outras versos de amor
Além dos que fiz quando o amor nos bastava
Hoje as marcas do tempo escorrem em meus dedos
Hoje os versos de amor estão além das palavras
Hoje encaro as escolhas que fiz pela vida
Hoje eu vivo as imagens do que me restou
Te peço desculpas por não ser como os outros
Mas não peço desculpas por ser quem eu sou
Me desculpe por não ser sorriso no dia de festa
Me desculpe por não vir dançar só por que tocam a música
Me desculpe por não te esconder que aqui não é o meu lugar
Me desculpe por não gargalhar da piada ensaiada
Me desculpe por não conversar as conversas banais
Me desculpe por não me vestir com as roupas da moda
Me desculpe por não estar ansioso para o próximo sábado
Me desculpe por não ter comprado uma pequena lembrança
Me desculpe por só possuir o que cabe em meu bolso
Me desculpe por não aceitar que o dinheiro me compre
Me desculpe por não me importar com o que dizem os outros
Me desculpe por não priorizar a limpeza da casa
Me desculpe por ignorar o rangido da porta
Me desculpe por não celebrar nossos falsos amigos
Me desculpe por não me iludir com promessas vazias
Me desculpe por não esquecer das desgraças do mundo
Me desculpe por não enviar sinais de esperança
Me desculpe por não acreditar que haverá um ano novo
Me desculpe por não inventar uma razão pra estar vivo
Me desculpe por não escrever outras versos de amor
Além dos que fiz quando o amor nos bastava
Hoje as marcas do tempo escorrem em meus dedos
Hoje os versos de amor estão além das palavras
Hoje encaro as escolhas que fiz pela vida
Hoje eu vivo as imagens do que me restou
Te peço desculpas por não ser como os outros
Mas não peço desculpas por ser quem eu sou
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Friday, December 5, 2014
Poeta
O poeta é um momento
de um coração que sangra
que explode por dentro
e escreve em chamas
e sofre em silêncio
e morre calado
e vive o cansaço
de amores perdidos
perdidos no tempo
na fúria e na angústia
de noites perdidas
que insistem em sonhar
O poeta é um momento
que insiste em sonhar
com as chamas de um dia
que nunca virá
e morre em silêncio
Sangrando calado
carrega o cansaço
de um mundo perdido
perdido no tempo
e na solidão
das palavras perdidas
de um coração
O poeta é um momento
de um coração que sonha
com as chamas que explodem
de um mundo em silêncio
e sofre por dentro
e morre cansado
e vive o encanto
do verso escrito
Escrito nas noites
de fúria e de angústia
de dores perdidas
que insistem em voltar
O poeta é um momento
que insiste em voltar
que insiste em ser chama
e que teima em durar
para sempre!
de um coração que sangra
que explode por dentro
e escreve em chamas
e sofre em silêncio
e morre calado
e vive o cansaço
de amores perdidos
perdidos no tempo
na fúria e na angústia
de noites perdidas
que insistem em sonhar
O poeta é um momento
que insiste em sonhar
com as chamas de um dia
que nunca virá
e morre em silêncio
Sangrando calado
carrega o cansaço
de um mundo perdido
perdido no tempo
e na solidão
das palavras perdidas
de um coração
O poeta é um momento
de um coração que sonha
com as chamas que explodem
de um mundo em silêncio
e sofre por dentro
e morre cansado
e vive o encanto
do verso escrito
Escrito nas noites
de fúria e de angústia
de dores perdidas
que insistem em voltar
O poeta é um momento
que insiste em voltar
que insiste em ser chama
e que teima em durar
para sempre!
Friday, November 7, 2014
O Poeta
O poeta é um mensageiro
Não é o autor da mensagem
Nem a quem ela se destina
Talvez por isso lhe caiba tanta tristeza
Da necessidade humana de traduzir sentimentos
ele não é a explosão do sol
nem tampouco é o calor da pele
É apenas um raio solar
Cotidiano, corriqueiro e invisível
Cotidiano, corriqueiro e invisível
Ninguém percebe
Ninguém se lembra
Ninguém enxerga
Só a poesia nos define.
Só a poesia nos redime
e somente o horizonte nos acolhe.
Só a poesia nos define.
Só a poesia nos redime
e somente o horizonte nos acolhe.
Tuesday, November 4, 2014
O complicado da vida
O que é complicado na vida?
A irreversibilidade do tempo,
a complexidade das escolhas,
a inutilidade das atitudes,
a estupidez das palavras,
a continuidade da tristeza
a clausura do amor,
a irracionalidade das pessoas,
ou a futilidade da razão?
Do poeta, isso não é poesia:
é apenas uma pergunta!
A irreversibilidade do tempo,
a complexidade das escolhas,
a inutilidade das atitudes,
a estupidez das palavras,
a continuidade da tristeza
a clausura do amor,
a irracionalidade das pessoas,
ou a futilidade da razão?
Do poeta, isso não é poesia:
é apenas uma pergunta!
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