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Thursday, February 19, 2015

Vazio no meio do nada

Há tempos não escrevo. Entro aqui, dou risada do que leio - não dá pra levar a sério. Republico notícias que acho interessantes - na verdade, minha dose de provocação -, e vou embora, igual ao garoto que toca a campainha e sai correndo! Mas sabe que no fundo, isso me deixa triste! Há um grande vazio que ainda não sei o que significa, e o lance é que não é o vazio em si ou a falta de significado que entristece.

O que me entristece é o fato de saber que esse significado já não serve mais!

É preciso dobrar a esquina!




(texto escrito em minha 'timeline' no Facebook agora a pouco - achei poético!)








Wednesday, January 28, 2015

Notas Poéticas: "As águas" (#10 de 14)


Village Mont-Tremblant - Québec 

A correnteza 
lenta
calma
inevitável
Sempre encontrará o seu caminho!

Um sentimento
lento
calmo
inevitável...







Friday, January 23, 2015

Notas Poéticas: "Fogo" (#5 de 14)


O fogo ardente, amargo e distante
Errante, demente
Ilumina meu corpo
Corrompe, subverte
uma mente incandescente
De prazeres e paixões
Insensatos sentimentos 
De um pobre coração.










Tuesday, January 20, 2015

Notas Poéticas: "Sigo marcas" (#2 de 14)



Mont-Royal - Montréal -Qc


Sigo marcas
Pegadas deixadas
Por alguém que passou em outros tempos
Não deixaram sentimentos
Mas deixaram marcas

Pra que eu reinvente
os meus





Sunday, January 11, 2015

Aos que conhecem a revolução

Escrevo cartas para um tempo futuro
para os que viveram a Revolução
Eles não conhecem a vida de ouvir dizer
Eles têm o mundo inteiro, e sabem o que fazer com ele!
Não lhes peço armas - lhes peço razões
Não invento frases - escrevo sentimentos
Não uso a energia que resta
 pra proteger castelos de areia

Apenas escrevo e envio minhas cartas aos que conhecem a Revolução!
Eles não conhecem o medo de ouvir dizer
Eles têm coragem, e sabem o que fazer com ela!
Coragem de sair pela manhã
Encontrar o sol de um novo dia
E entender o canto dos que nos chamam do amanhã

Por isso envio cartas ao amanhã

pra esses que de fato conhecem a Revolução
Eles não conhecem os fatos de ouvir dizer
Eles têm o silêncio e o grito, e sabem o que fazer com eles!
Cultivar os filhos do próximo canto
Beber o vinho dos seus aniversários
Mergulhar no vazio de suas almas serenas

E então envio cartas aos que conhecem a Revolução
Pois eles não conhecem o tempo de ouvir dizer
Um dia – nessa ou em outra vida – essas cartas serão abertas
Suas razões e sentimentos serão o mundo
O seu sol e seus cantos serão coragem
Seus filhos e sual alma serão o silêncio e o grito, vivos e presentes!
O mundo então verá os que conhecem a Revolução
…e  ele saberá o que fazer com eles!!!

Portanto jamais deixarei de enviar cartas aos que conhecem a Revolução!
Não existiriam muitas coisas sem elas…
…nem revolução, nem mundo que valesse o tempo!
Aos Bravos, os braços… …num abraço que não leva nome, tempo ou piedade!




(À Miguel de Paula Pimentel, a quem por muito tempo enviei
todas as cartas que escrevi e recebi nessa vida!
Escrito em 18 de abril de 2009
Montréal - Québec)


Tuesday, January 6, 2015

Minhas palavras

Minhas palavras
Vão e se estendem
Nascem em meu peito e morrem no chão

São só palavras
E não entendem
Como alcançar o teu coração

Dessas palavras
Eu invento versos
De qualquer jeito, todos em vão

Pois as palavras
Não servem pra nada
Morrem no peito de minha solidão

São tantas palavras
Pra te falar
Tantos sentimentos em tuas mãos

Tantas palavras
Pra te explicar
O que não precisa explicação

Eu tenho palavras
E invento a coragem
Pra então conquistar o teu coração

Mas eu só conheço
Poucas palavras
Que não te alcançam e morrem no chão






Monday, January 5, 2015

Ele era uma menina




Ele era uma menina
aprendendo a caminhar
Ela era um garoto
aprendendo a viver
Ele era cor-de-rosa
no uniforme todo azul
Ela era azul-marinho
com uma fita na cabeça
Ele tinha maquiagem
mas o espelho não mostrava
Ela usava maquiagem,
mas no espelho não se via
Ele era apaixonado
pelo seu melhor amigo
Ela era apaixonada
pela garota mais bonita

Eles eram o que queriam
mas o mundo não entendia
Só queriam se encontrar
mas o mundo não queria
Só queriam um lugar
para serem o que já eram
Mas o mundo veio e disse
que não havia esse lugar
Que eles não eram o que viam
Que não sentiam o que sentiam
Que não teriam o que esperavam
E que somente a solidão
é o que iriam encontrar

Eles jamais se conheceram,
mas trilharam o mesmo destino
Ele num corpo de mulher,
ela num corpo de menino
Eles eram muito jovens
e não puderam enxergar
Que o tempo ensina a todos
a encontrarem o seu lugar
Não puderam suportar
tanto rancor e violência
E só a tristeza e a solidão
foi o que tinham pra contar

E pra fugir dessa tristeza
se lançaram em pleno ar
A menina cor-de-rosa
do mais alto viaduto
E o garoto azul-marinho,
do edifício à beira-mar

Só deixaram suas histórias
para quem quiser contar
Que ela era um garoto,
e ele era uma menina
Que fugiram dessa vida
para tentar se libertar
Da razão fria e doente
que só enxerga o que quer enxergar
Não dá espaço para o ser diferente
E não tem a menor idéia
Do que de fato seja amar


__________________________

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio de jovens
entre 15 e 19 anos de idade é a quarta causa de morte entre os homens
e a terceira entre as mulheres. A proporção chega a ser 6 vezes maior que 
a média em países onde questões culturais e religiosas coíbem as liberdades
individuais. Nesse mundo há muita coisa errada, e individualmente somos
muito pequenos pra lidar com tudo ao mesmo tempo. Mas é sempre possível
olhar para o lado, abandonar velhos conceitos , aprender e ensinar aos nossos
jovens que aceitação, carinho, amizade e compreensão, são ferramentas
poderosas pra construirmos um  mundo melhor!




Thursday, January 1, 2015

O Primeiro

O primeiro traz a noção de justiça que o passado nos negou
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois do último que nos magoou

O primeiro é uma marca naqueles que carregam a esperança
Ele não é de fato o primeiro
Mas é o primeiro depois de tantos que nos levaram pra bem longe

Dos primeiros
trago meus sentimentos de infância
os pés descalços na areia da praia
o sorriso fácil olhando pro futuro com a crença irresponsável de que agora tudo será diferente

Eu me lembro o que é isso
Eu me lembro de não estar cansado
Me lembro de saber de tudo

Mas não me lembro dos outros primeiros
Eles se foram
Levados pela decepção do porvir
Que nunca vem pra nos dar alento, boas novas ou vontade

Meu coração não celebra mais esse porvir
Incauto
me conduz por veredas que de fato
não tiveram começo nem tampouco terão fim

De fato, creio que nunca tive um primeiro
Tudo não passou de uma contínua linha de subjetividades
inventadas pra justificar a existência desse meu coração aflito.

Já estou farto de pequenas verdades!












Monday, December 29, 2014

O Corpo

No corpo
Encontro os limites daquilo que entendo
Mas não os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de suas palavras
Viajo com o vento
E me rendo ao toque dos teus sentimentos
E sinto o calor que carrega o teu sangue
E o gosto salgado de teus pensamentos
E o cheiro molhado que tem teus desejos
E os sons indecentes dos teus olhos fechados
Hesitantes
Excitantes
Exilados
Em delírio, delirantes
Aprendendo com a noite
Até a noite acabar!

Dos limites desse corpo 
Traço fronteiras que de fato não tenho
Que se expandem
Que te encontram
Adormecem em um sonho
Sem ter medo de acordar
E acordam desse sonho
Nos limites desse corpo 
Onde encontro os limites daquilo que entendo
Mas nunca os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de teus beijos molhados
Sou apenas humano
Nada mais que pecado
Aprendendo com a vida
Até a vida acabar!





Thursday, December 25, 2014

De passagem

Tive na vida muitas pessoas que gostaria que tivessem ficado
Mas não ficaram
Se foram mais cedo
A morte, a distância, o esquecimento...
Todos se foram
Mas ficaram os sentimentos
As histórias
Os encantos, a memória...

O gosto do beijo
os tons das palavras
o brilho do olhar
São provas que ainda posso provar

Da partida
E dos corações partidos
A certeza de que fui capaz de amar
Fui capaz de estar vivo e de ter vivido
Fui capaz de sorrir
E de sonhar



(Ofereço-lhes uma rosa. A mesma que me fez nascer!)




Friday, December 5, 2014

Poeta

O poeta é um momento
de um coração que sangra
que explode por dentro
e escreve em chamas
e sofre em silêncio
e morre calado
e vive o cansaço
de amores perdidos
perdidos no tempo
na fúria e na angústia
de noites perdidas
que insistem em sonhar

O poeta é um momento
que insiste em sonhar
com as chamas de um dia
que nunca virá
e morre em silêncio
Sangrando calado
carrega o cansaço
de um mundo perdido
perdido no tempo
e na solidão
das palavras perdidas
de um coração

O poeta é um momento
de um coração que sonha
com as chamas que explodem
de um mundo em silêncio
e sofre por dentro
e morre cansado
e vive o encanto
do verso escrito
Escrito nas noites 
de fúria e de angústia
de dores perdidas
que insistem em voltar

O poeta é um momento
que insiste em voltar
que insiste em ser chama
e que teima em durar

                         para sempre!





Thursday, December 4, 2014

Cores

As cores vivas dessa vida
Não me nego a percebê-las
Não me nego tocá-las
Ou inventar mais cores novas
São as cores que me negam
Me dão nuvens
Céus cinzentos
Trazem amores violentos
E histórias pra contar

Dessas cores sou o negro
Sou o branco
Sou o vazio
Sou as sombras desse quadro
Sorrateiro, escuro, vil
Sou a antítese das cores
Nuvens brancas
Céus cinzentos
Das cores sou sombra e sentimentos
Só histórias pra contar







Friday, November 21, 2014

Todos os corações do Mundo


Hoje eu encontrei todos os corações do mundo.
Eles estavam aflitos
Preocupados com as conjunturas da política internacional.

Nos sentamos pra tomar um café bem forte
Enquanto eles folheavam as manchetes do dia.
Conversamos um pouco sobre coisa nenhuma.

Não me lembro deles terem me olhado nos olhos.
Saíram atrasados, apressados pra vida.

Disseram que um dia desses podemos marcar um almoço.
Eu sorri mas não creio que eles perceberam.

Esqueceram sobre a mesa alguns sentimentos rabiscados num papel -
não creio que sentirão falta deles

Não devem ser importantes!



Thursday, November 20, 2014

Um breve adeus

Era ainda de manhã
Quando te vi com flores nas mãos
Mais do que flores
Havia um sorriso
Esperança nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas era tudo o que eu sonhava
O que é quase a mesma coisa
Nessa vida
Nessa estrada

O caminho era bonito
E eu não me sentia mais sozinho
Mas o tempo sempre passa
E nos leva a outros caminhos
               - - - - - -

Quando veio o entardecer
E te vi com um aceno nas mãos
Mais do que um aceno
Havia um adeus
Um aperto nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas eram lágrimas sentidas
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

O caminho era cinzento
E eu não entendia estar sozinho
E o tempo sempre passa
E traz a dor pro meu caminho
               - - - - - -

E então chegou a noite
e eu nada tinha em minhas mãos
Mais do que nada
Havia tristeza
Silêncio nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Era um sonho transformado em mentira
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

Não havia mais caminho
E eu sozinho...
...ainda pedia perdão
E o tempo sempre passa
E continua a dizer não







Wednesday, November 5, 2014

Cartas de amor

Quero lhe escrever uma carta de amor
Mas não amo!
Eu não amo!

Uma carta de amor
de um tamanho sem medida
de uma espera sem partida
de um pecado sem maldade
de um golpe sem ferida
sem estrago, sem engano

Mas não posso
Pois não amo

Encontro palavras que me encontram
Versos que me assombram
Sentidos inexatos
Mensagens que me encantam

Mas não são de carta
e nem são de amor

E nesse mundo inerte e insano
Do amor, queria escrever as palavras

Mas não posso
Eu não posso
Pois não amo

Monday, November 3, 2014

Sobre palavras

(Clique na imagem para ampliar)









...porque a vida não é mais que recomeços

...e então foi assim:

Tirei a poeira das mãos
Tirei o mundo dos ombros
Limpei as lágrimas dos olhos

Fingi que ainda tinha forças
Fingi que ainda tinha vontade
Forjei o que ainda faltava

...e segui como quem sabe pra onde vai.

Porque não podia mais esperar
Porque não podia mais me calar
Porque não aguentava mais morrer

Morrer de agonia
Morrer de desgosto
Morrer de desesperança

...me vesti de uma fantasia qualquer
 e fui adiante

Pois não havia mais o que temer
Não havia mais nada a perder
Não havia mais dor desconhecida

Nem a dor do silêncio
Nem a dor do desprezo
Nem a dor dessa vida



Monday, October 13, 2014

O beijo

Eu esperava o amor
Quando me veio um beijo
Rápido, imprudente
Completamente desprovido de intenção ou cuidado
E por um instante
Eu não era mais o sonhador:
- Eu era o sonho!

Por um instante
O tempo era então, os olhos fechados
E o silêncio era tua respiração

Por um instante
Eu era uma canção
- uma linda canção sem motivo ou conseqüência

Eu esperava o amor
Quando me veio o beijo pra me mostrar
Que por um instante
Eu não precisava mais esperar -


                  - Esperar pelo amor

                     ou pelo simples sentimento de estar vivo





Friday, October 10, 2014

Prelúdio

Percorrer a luz da manhã
Acordar o que está adormecido
Sonhar acordado
Conversar com o tempo

Temos o que nos falta
Porque somos aquilo que temos
Mas machucados pela voz das certezas
Se somos, não sabemos
Esquecemos!

Caminhar pela luz desse dia
Parece alívio mas é só teimosia
de sonhar acordado
e conversar com o tempo
enquanto tantos a minha volta compram sorrisos
pra vender alegria.

...e o futuro parece um detalhe irrelevante!




Monday, October 6, 2014

Chorar

Às vezes eu choro
Sozinho
Em silêncio
Choro por toda dor que não consigo entender
Por todo ódio que encontro
Por todo amor que se perde

     se perde em palavras
     se perde no silêncio das pessoas vazias

De vez em quando eu choro
Porque não aprendi a rezar
Porque não aprendi a mentir
Porque fingir é uma dor que não consigo entender

Sozinho
Pego o silêncio das palavras,
a imensidão dos sentimentos
as flores que foram lançadas ao lixo
e então
eu choro

Porque chorar
Sozinho
Em silêncio
Por toda dor que não consigo entender
     talvez não seja virtude
     mas tampouco é agressão