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Tuesday, October 6, 2015

O Sol desse Outono

O que não me falta......coragem
O que não me afeta......preguiça
O que me sufoca......paisagem
O que não me aflige......cobiça
O que não me toca......teus olhos
O que não me entende......machuca
O que não me vê......o tempo
O que quer ser......a rua
O que me destrói......vertigem
O que me comove......bondade
O que me comove......insiste
O que me comove......não existe
O que me assusta......teus olhos
O que não me falta......vaidade
O que me detesta......teu jeito
O que me desperta......vontades
O que me acompanha......o tempo
O que me maltrata......a rua
O que me incomoda......coragem
O que me abandona......insiste
O que não me falta......cansaço
O que não me toca......tua boca
O que me desperta......não existe
O que ainda insiste......ir embora
O que me sufoca......teus olhos
O que não me toca......tuas mãos
O que me espera......a porta
O que me completa......vazio
O que me acompanha......a rua
O Sol desse Outono......só frio
O que não me falta......saudade
O que quero ser......partiu





Saturday, January 31, 2015

Notas Poéticas: "O Sol" (#13 de 14)




O sol já não aquece

Mas ainda sugere o horizonte

Por onde os sentimentos esperam se encontrar!






Sunday, January 11, 2015

Aos que conhecem a revolução

Escrevo cartas para um tempo futuro
para os que viveram a Revolução
Eles não conhecem a vida de ouvir dizer
Eles têm o mundo inteiro, e sabem o que fazer com ele!
Não lhes peço armas - lhes peço razões
Não invento frases - escrevo sentimentos
Não uso a energia que resta
 pra proteger castelos de areia

Apenas escrevo e envio minhas cartas aos que conhecem a Revolução!
Eles não conhecem o medo de ouvir dizer
Eles têm coragem, e sabem o que fazer com ela!
Coragem de sair pela manhã
Encontrar o sol de um novo dia
E entender o canto dos que nos chamam do amanhã

Por isso envio cartas ao amanhã

pra esses que de fato conhecem a Revolução
Eles não conhecem os fatos de ouvir dizer
Eles têm o silêncio e o grito, e sabem o que fazer com eles!
Cultivar os filhos do próximo canto
Beber o vinho dos seus aniversários
Mergulhar no vazio de suas almas serenas

E então envio cartas aos que conhecem a Revolução
Pois eles não conhecem o tempo de ouvir dizer
Um dia – nessa ou em outra vida – essas cartas serão abertas
Suas razões e sentimentos serão o mundo
O seu sol e seus cantos serão coragem
Seus filhos e sual alma serão o silêncio e o grito, vivos e presentes!
O mundo então verá os que conhecem a Revolução
…e  ele saberá o que fazer com eles!!!

Portanto jamais deixarei de enviar cartas aos que conhecem a Revolução!
Não existiriam muitas coisas sem elas…
…nem revolução, nem mundo que valesse o tempo!
Aos Bravos, os braços… …num abraço que não leva nome, tempo ou piedade!




(À Miguel de Paula Pimentel, a quem por muito tempo enviei
todas as cartas que escrevi e recebi nessa vida!
Escrito em 18 de abril de 2009
Montréal - Québec)


Friday, December 12, 2014

O sol de teus olhos


Ainda me lembro
do dia de sol
Do sol de teus olhos
Do sol dividido
Me lembro do dia
E do amor escondido
Ainda maior
Que teus olhos perdidos

Ainda me lembro
Do dia de sorte
Da espera contida
Da voz comedida
Do banco lá fora
Do resto da vida
Me lembro dos olhos
Sem dor nem feridas

Me lembro da pressa

e dos planos futuros
Me lembro da Rosa
e das mãos delirantes
O banco lá fora
Não é mais como antes
O dia de sol

Já não aquece o bastante

Mas o sol de teus olhos

É ainda maior
Maior que esse sol
Maior que as feridas
Eu vivo esse amor
E uma espera contida 
Pois me lembro da Rosa
E do resto da vida