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Friday, January 8, 2016

A Verdade

Não existem verdades absolutas.
Nem tampouco existem dores absolutas.

O que existe são escolhas!

As minhas escolhas
estão além daquilo que vejo;
Além daquilo que alcanço;
Além daquilo que entendo

Porque sou pequeno
Porque sou imperfeito
Porque não sou justo

Minhas escolhas
estão na angústia dos que têm fome
no medo dos que não têm abrigo
na dúvida dos que estão feridos
na dor dos que foram humilhados
na história dos que foram traídos

Minhas escolhas estão ao lado
De quem não foge à luta contra o opressor
Mesmo não existindo a menor possibilidade de vitória

Minhas escolhas começam
Mas não terminam em mim

Minhas escolhas estão muito...

...muito além dos meus jardins!








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Wednesday, December 31, 2014

Preciso parar de escrever


Eu preciso parar de escrever
Nos últimos tempos
As palavras me fizeram companhia
Mas é preciso assumir que minhas palavras não mudarão o curso da história
Não mudarão sequer o curso de minha história
Uma história torta que nem mesmo parece ter um curso

Ser um homem de palavras 
não faz de mim de fato um homem
Nunca fui bom de fato nesse item
Não sou o filho que deveria
Não sou o pai que gostaria
Não sou o marido que deveria

Fiel aos meus princípios 
às vezes me esqueço de ser fiel à mim mesmo
E isso desmantela toda a história

A história torta que não tem curso
E então
Preciso parar de escrever
Pois minhas palavras não mudarão o curso da história 
E mesmo que mudem
Eu não posso acreditar nisso

Pois se acreditasse não seria mais um homem de palavras
E sim
Um homem de negócios 

E diante do fato de eu não ser um homem
da maneira que o mundo queria que eu fosse
lhes digo sem guardar dúvida ou amargura:

Negócio eu nunca serei

Nunca!!!







Thursday, December 11, 2014

Manhãs de um dia futuro


Vastos os campos diante dos olhos cansados
A espera de passos que de tão lentos nunca vão chegar
Lento e cansado se apresenta esse destino
Que não menos vasto é bem maior que meu olhar
Um olhar que persegue sentimentos e virtudes
Imagens disformes e difíceis de encontrar
Razões dissonantes que me atacam enquanto escrevo
Insensível aos gritos que insistem em me assombrar
Amar é o que resta - mesmo que eu não saiba amar




(quando palavras não são suficientes pra dizer obrigado)








Thursday, December 4, 2014

Cores

As cores vivas dessa vida
Não me nego a percebê-las
Não me nego tocá-las
Ou inventar mais cores novas
São as cores que me negam
Me dão nuvens
Céus cinzentos
Trazem amores violentos
E histórias pra contar

Dessas cores sou o negro
Sou o branco
Sou o vazio
Sou as sombras desse quadro
Sorrateiro, escuro, vil
Sou a antítese das cores
Nuvens brancas
Céus cinzentos
Das cores sou sombra e sentimentos
Só histórias pra contar







Wednesday, December 3, 2014

"Desviante"

Toda arte deveria ser um desvio
Um desvio da norma
Um desvio do que se espera

Não um atalho
Mas um caminho mais intenso
Ser do senso, o contra-senso
Da mesa posta, ser o faminto

De cada resposta
Ser a nova pergunta
Pois a arte não responde!

Se junta ao devaneio
E a urgência do artista
em subverter-se
revolucionar-se
incendiar-se de incertezas
diante da certeza de estar vivo

A arte desvia o caminho certo
rumo ao incerto
Repleto de possibilidades
Sedento de paixões
Entregue aos desejos
de uma alma que é humana
Incompleta
Imperfeita e livre

Livre pra explorar caminhos novos
E duvidar do que é certo
Duvidar do que é óbvio
Duvidar do que é sagrado
idolatrado e subserviente

E essa mesma liberdade
Cheia de paixão e rebeldia
Subverte mesmo o artista e anuncia
Ser o desvio da própria arte

E dessa arte que se encontra no desvio
Nasce a paixão, a rebeldia e a liberdade
E desse todo são a parte e a contra-parte
Por serem elas o desvio da própria arte