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Friday, October 28, 2016

Nem Palavras




Hoje não tenho nada que seja meu...
...nem palavras.

Entrei no quarto de meu filho que dormia,
pra acalmar-lhe a "tosse de outono": não faz mal mas atrapalha o sono.

Após lhe dar um gole de água - com a nítida impressão que ele o fez sem sequer acordar, passei alguns minutos acariciando os cabelos e pensando... ...pensando... ...pensando no poder das mãos acariciando cabelos... ...pensando nas mãos que não tive... ...nos cabelos que não posso alcançar... ...pensando em minhas mãos, e nos cabelos de meu filho!


Passaram mais minutos do que pude perceber... ...a tosse também passou!!
Sai do quarto e novamente me fiz de alvo, vidraça pra todas as luzes.

Hoje não tenho nada que seja meu...
...nem palavras!!!


(escrito em 28 de Outubro de 2012 - Facebook me lembrou)

Friday, January 8, 2016

A Verdade

Não existem verdades absolutas.
Nem tampouco existem dores absolutas.

O que existe são escolhas!

As minhas escolhas
estão além daquilo que vejo;
Além daquilo que alcanço;
Além daquilo que entendo

Porque sou pequeno
Porque sou imperfeito
Porque não sou justo

Minhas escolhas
estão na angústia dos que têm fome
no medo dos que não têm abrigo
na dúvida dos que estão feridos
na dor dos que foram humilhados
na história dos que foram traídos

Minhas escolhas estão ao lado
De quem não foge à luta contra o opressor
Mesmo não existindo a menor possibilidade de vitória

Minhas escolhas começam
Mas não terminam em mim

Minhas escolhas estão muito...

...muito além dos meus jardins!








para mais canções visite:


gullicci.com
soundcloud.com/gullicci
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Tuesday, October 6, 2015

O Sol desse Outono

O que não me falta......coragem
O que não me afeta......preguiça
O que me sufoca......paisagem
O que não me aflige......cobiça
O que não me toca......teus olhos
O que não me entende......machuca
O que não me vê......o tempo
O que quer ser......a rua
O que me destrói......vertigem
O que me comove......bondade
O que me comove......insiste
O que me comove......não existe
O que me assusta......teus olhos
O que não me falta......vaidade
O que me detesta......teu jeito
O que me desperta......vontades
O que me acompanha......o tempo
O que me maltrata......a rua
O que me incomoda......coragem
O que me abandona......insiste
O que não me falta......cansaço
O que não me toca......tua boca
O que me desperta......não existe
O que ainda insiste......ir embora
O que me sufoca......teus olhos
O que não me toca......tuas mãos
O que me espera......a porta
O que me completa......vazio
O que me acompanha......a rua
O Sol desse Outono......só frio
O que não me falta......saudade
O que quero ser......partiu





Saturday, October 3, 2015

Somos Luzes

Somos luzes!
Iluminamos o que olhamos! 

Tem gente que olha pra fora, tem gente que olha pra dentro,
tem gente que olha pros outros, tem gente que só olha pra si mesmo!
E nessa história de olhares a gente vai vivendo por entre os dias de sol e as noites sem lua, se equilibrando entre encontros e desencontros tentando manter acesa a nossa pequena luz própria. 
Mas às vezes ela se apaga.
Em meio à violência das tempestades que por vezes nos surpreendem, buscamos o último sopro de energia pra guardar uma faísca de luz pra recomeçar quando o sol do amanhã aparecer, mas os ventos, os trovões e o peso das nuvens levam tudo, não nos deixando nem luz e nem tampouco esperança. E quando pequenos e invisíveis olhamos em nossa volta e vemos outras luzes passando quase sempre olhando pra dentro, quase sempre olhando pra si mesmos enquanto a tempestade só aumenta - nesse momento é quando deixamos de existir! ...

... 

...mas às vezes, só às vezes, antes de deixarmos de existir, passam ao nosso lado luzes olhando pra fora, e sobretudo, luzes que olham pros outros pois é da sua natureza fazerem isso. E ao fazerem isso, nos emprestam um pouco da luz que já não temos pra nos mostrar o caminho. Às vezes estamos de joelhos e nesse caso, essas luzes diminuem o passo pra que possamos segui-las. Às vezes estamos completamente por terra imóveis, e nesse caso essas luzes nos tomam em seus braços até encontrarmos um lugar seguro! ... 

...Somos luzes...

...e assim segue a vida!

É da nossa natureza olharmos pra dentro ou pra fora, pros outros ou pra nós mesmos... ...mas também é da nossa natureza aprender - aprender que somos luzes, aprender que existem tempestades, e sobretudo, aprender que somos nós que escolhemos pra onde olhar!

Somos nós que escolhemos pra onde olhar!!!




Thursday, February 19, 2015

Vazio no meio do nada

Há tempos não escrevo. Entro aqui, dou risada do que leio - não dá pra levar a sério. Republico notícias que acho interessantes - na verdade, minha dose de provocação -, e vou embora, igual ao garoto que toca a campainha e sai correndo! Mas sabe que no fundo, isso me deixa triste! Há um grande vazio que ainda não sei o que significa, e o lance é que não é o vazio em si ou a falta de significado que entristece.

O que me entristece é o fato de saber que esse significado já não serve mais!

É preciso dobrar a esquina!




(texto escrito em minha 'timeline' no Facebook agora a pouco - achei poético!)








Friday, January 16, 2015

Assassinato

E a manchete dizia o seguinte:
"Oprimido mata Opressor com requintes de crueldade!"
Foi na noite do santo padroeiro
Que a tragédia se deu por inteiro
Assustando a gente daquela cidade

Todos estamos solidários às famílias de ambas as vítimas:
A vítima do assassinato
E a vítima da opressão
Mas só pra primeira teve passeata
Discurso de gente importante
E cobertura na televisão

Pois só a primeira é de fato um crime
Sendo a segunda, fato casual
Que acontece todos os dias
Não vende slogan na camiseta
Nem primeira página de jornal

Ao povo do assassinado

Vítima de uma mente doente
Que se deu o direito de tirar uma vida
Fica a dor, o desespero
E o gosto amargo dessa saudade

Ao povo do assassino

Vítimas duplamente
Da mesma mente doente
E do opressor cruel e consistente
Fica a etiqueta de terroristas
De mensageiros de toda maldade

Enquanto isso nas catedrais

Os assassinos oficiais
Alinham o terno e a gravata 
E vão pra rua em passeata lutar pela liberdade
E tirar foto pro jornal pra depois usar na eleição
Pois oprimir nunca foi crime
E matar de fome e esquecimento
Não merece nossa atenção



(ao atentado de 7 janeiro de 2015 que matou 12 pessoas em Paris, ao atentado de 9 de janeiro que matou mais de 2000 pessoas invisíveis na Nigéria, a à todos os outros que acontecem nas favelas e guetos mundo a fora e matam milhões de outros invisíveis e não são importantes o suficiente pra nos mobilizarmos)






Friday, November 7, 2014

O Poeta

O poeta é um mensageiro

Não é o autor da mensagem
Nem a quem ela se destina
Talvez por isso lhe caiba tanta tristeza

Da necessidade humana de traduzir sentimentos
  ele não é a explosão do sol
  nem tampouco é o calor da pele
É apenas um raio solar
Cotidiano, corriqueiro e invisível

Ninguém percebe
Ninguém se lembra
Ninguém enxerga

Só a poesia nos define.
Só a poesia nos redime
e somente o horizonte nos acolhe.






Wednesday, November 5, 2014

Cartas de amor

Quero lhe escrever uma carta de amor
Mas não amo!
Eu não amo!

Uma carta de amor
de um tamanho sem medida
de uma espera sem partida
de um pecado sem maldade
de um golpe sem ferida
sem estrago, sem engano

Mas não posso
Pois não amo

Encontro palavras que me encontram
Versos que me assombram
Sentidos inexatos
Mensagens que me encantam

Mas não são de carta
e nem são de amor

E nesse mundo inerte e insano
Do amor, queria escrever as palavras

Mas não posso
Eu não posso
Pois não amo

Tuesday, November 4, 2014

O complicado da vida

O que é complicado na vida?

A irreversibilidade do tempo,
a complexidade das escolhas,
a inutilidade das atitudes,
a estupidez das palavras,
a continuidade da tristeza
a clausura do amor,
a irracionalidade das pessoas,
ou a futilidade da razão? 

Do poeta, isso não é poesia:
é apenas uma pergunta!






Friday, October 31, 2014

Versos

(Clique na imagem para ampliar)









Vossa Excelência - parte I de III

Vossa Excelência - parte I de III 

(Ver notas 1, 2)




Concluída a pauta na casa legislativa
O dia se encaminhava pra um desfecho ordinário
Palavras finais se alternavam brevemente
Até que a calmaria foi perturbada abruptamente
Por um dos presentes com seu discurso panfletário

Um deputado conhecido por suas idéias progressistas
Acusa um outro deputado, desafeto de família
Sem causa específica ou razão aparente
A palavra é tomada de forma imprudente
Acabando com qualquer sombra de monotonia


"Senhor presidente lhe peço a palavra
E me dirijo ao colega, nobre deputado
Cujo a conduta me trouxe a necessidade
De entoar um discurso e mostrar a verdade
Sobre o que tenho visto de torto e de errado

Fostes eleito pelo voto do povo
A quem prometeu trabalhar noite e dia
No entanto os frutos de vossa empreitada
Caíram todinhos em vossa calçada
E dentro das cercas de vossa família."



Ao perceber que estava sendo acusado
O deputado interrompe sem ser convidado:


"Pela ordem, a palavra, senhor presidente
O nobre colega me falta com o respeito
Vossa Excelência faz da brisa, tempestade
Entoa a mentira e lhe chama de verdade
E omite que, assim como eu, foste eleito

Fizeste promessa de acabar com a miséria
E anunciaste a chegada de um novo tempo
Mas se olhares os feitos dessa trajetória
Não precisas nem mesmo apelar pra memória:
Quem vivia sem casa ainda dorme ao relento!"


Inconformado por ter sido interrompido
O acusador retoma a palavra enfurecido:


"Não concedo o aparte à Vossa Excelência
Que altera os rumos dessa minha fala
Distorces a verdade com eloqüência
Diante dos ricos mostras subserviência
E diante da miséria, se omite e se cala

Nas prerrogativas de vosso mandato
Está a defesa desse povo carente
Mas ao que parece a vossa ganância
Mostra refinamento e muita elegância
Enquanto dá as costas a toda essa gente."



O acusado então - deputado experiente
Ainda sem ser convidado, interrompe novamente:



"Pela ordem interrompo, senhor presidente
O nobre colega atenta à razão
Botando em questão minha honestidade
Quer fazer da miséria exclusividade
Quando ela é um patrimônio dessa nação

A elegância da qual o colega me acusa
Pode ser encontrada em vosso terno engomado
e a gente importante que lido com freqüência
São os mesmos que brindam com Vossa Excelência
Nem sempre questões referentes ao Estado."


O acusador então, diante de tal assertiva
Eleva o tom da conversa pra terminar de forma incisiva:


"Engrosso o discurso contra Vossa Excelência
Por seres leviano e mal-educado
Vociferas bobagens buscando a tangente
Com um sorriso nos lábios e a alma contente
Disfarçando as mazelas de que és culpado

Termino dizendo que nada tenho a esconder
Nem mesmo as incoerências dessa democracia
Mas não vendo minha honra e exijo respeito
De Vossa excelência que não tens o direito
E nem tens moral pra me acusar de vilania!"



O acusado nem esperou o final da sentença
Levantou-se e retrucou já com pouca paciência:


"Meu caro colega, se respeito é o que queres
Deverias pensar antes de abrires a boca
Pois falar em demasia além de inconveniente
Pode causar desconforto e fazer muito mal aos dentes 
deixando seqüelas maiores do que apenas a voz rouca

Me alegra saber que o nobre colega
Termina seu discurso e sai de mansinho
Vaidoso que és tens bastante a perder
Pois também sei bastante e tenho muito a dizer
E das mazelas do ofício não padeço sozinho!"



Com a pele vermelha e a faca entre os dentes
Ambos deixam a palavra e partem pra agressão
Os demais deputados evitam o vexame
Tirando os combatentes daquele certame
Enquanto o presidente encerrava a sessão

O debate caloroso na casa legislativa
Não gerou punição ou conseqüências pelo fato
As regras do jogo todos sabem com clareza
Após cada eleição há uma única certeza
De que ambos lá estarão para mais um novo mandato.







Notas do autor:

1. Os pronomes e a concordância verbal através dos versos refletem primeiramente
a linguagem corrente utilizada pelos parlamentares e não necessariamente
a norma culta.

2. O poema se refere a uma situação fictícia, reproduzindo o ambiente
historicamente presente na política dos "coronéis", não só no Brasil como em outros países,
não tendo nenhuma relação direta, à princípio, das personagens
do poema com políticos da cena atual brasileira.





Monday, September 22, 2014

Beleza sem fim

(Clique na imagem para ampliar)









Ontem

Ontem pela manhã ouvi o som de portas batendo
Janelas se fechando
Cortinas deslizando,
   bloqueando a claridade do sol
Pensei que fosse a tempestade chegando
Mas não era.

Era só a vida!

Só a vida!!