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Monday, December 29, 2014

O Corpo

No corpo
Encontro os limites daquilo que entendo
Mas não os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de suas palavras
Viajo com o vento
E me rendo ao toque dos teus sentimentos
E sinto o calor que carrega o teu sangue
E o gosto salgado de teus pensamentos
E o cheiro molhado que tem teus desejos
E os sons indecentes dos teus olhos fechados
Hesitantes
Excitantes
Exilados
Em delírio, delirantes
Aprendendo com a noite
Até a noite acabar!

Dos limites desse corpo 
Traço fronteiras que de fato não tenho
Que se expandem
Que te encontram
Adormecem em um sonho
Sem ter medo de acordar
E acordam desse sonho
Nos limites desse corpo 
Onde encontro os limites daquilo que entendo
Mas nunca os limites daquilo que sinto
No toque em meu corpo de teus beijos molhados
Sou apenas humano
Nada mais que pecado
Aprendendo com a vida
Até a vida acabar!





Thursday, December 25, 2014

De passagem

Tive na vida muitas pessoas que gostaria que tivessem ficado
Mas não ficaram
Se foram mais cedo
A morte, a distância, o esquecimento...
Todos se foram
Mas ficaram os sentimentos
As histórias
Os encantos, a memória...

O gosto do beijo
os tons das palavras
o brilho do olhar
São provas que ainda posso provar

Da partida
E dos corações partidos
A certeza de que fui capaz de amar
Fui capaz de estar vivo e de ter vivido
Fui capaz de sorrir
E de sonhar



(Ofereço-lhes uma rosa. A mesma que me fez nascer!)




Friday, December 5, 2014

Poeta

O poeta é um momento
de um coração que sangra
que explode por dentro
e escreve em chamas
e sofre em silêncio
e morre calado
e vive o cansaço
de amores perdidos
perdidos no tempo
na fúria e na angústia
de noites perdidas
que insistem em sonhar

O poeta é um momento
que insiste em sonhar
com as chamas de um dia
que nunca virá
e morre em silêncio
Sangrando calado
carrega o cansaço
de um mundo perdido
perdido no tempo
e na solidão
das palavras perdidas
de um coração

O poeta é um momento
de um coração que sonha
com as chamas que explodem
de um mundo em silêncio
e sofre por dentro
e morre cansado
e vive o encanto
do verso escrito
Escrito nas noites 
de fúria e de angústia
de dores perdidas
que insistem em voltar

O poeta é um momento
que insiste em voltar
que insiste em ser chama
e que teima em durar

                         para sempre!





Tuesday, November 25, 2014

O garoto preto


O garoto era pobre
E se perdeu por um sonho
Se encontrou na realidade ausente
E deu um tiro em sua própria imagem
A miragem era ódio
Era um anjo
Era deus
O único deus que poderia dar de volta
Aquilo que o mundo havia lhe roubado

O garoto era preto
E se vendeu por um sonho
Se encontrou na realidade branca
E deu um tiro em sua própria crença
Na presença do ódio
Era um anjo
Era deus
O único deus que poderia levar embora
Toda desgraça que o mundo havia lhe dado

Pois sim ele era......era só um garoto
Que enfim sofreu por um sonho
Se encontrou numa realidade doente
E deu um tiro em sua própria cabeça
Na imagem do ódio
Virou um anjo
Virou um Deus
O único deus que poderia levá-lo embora
E enfim livrá-lo de todo mal, Amém!




Essa é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas,
lugares e fatos reais, terá sido mera coincidência.

Montréal, 24 de novembro de 2014



Thursday, November 20, 2014

Um breve adeus

Era ainda de manhã
Quando te vi com flores nas mãos
Mais do que flores
Havia um sorriso
Esperança nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas era tudo o que eu sonhava
O que é quase a mesma coisa
Nessa vida
Nessa estrada

O caminho era bonito
E eu não me sentia mais sozinho
Mas o tempo sempre passa
E nos leva a outros caminhos
               - - - - - -

Quando veio o entardecer
E te vi com um aceno nas mãos
Mais do que um aceno
Havia um adeus
Um aperto nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Mas eram lágrimas sentidas
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

O caminho era cinzento
E eu não entendia estar sozinho
E o tempo sempre passa
E traz a dor pro meu caminho
               - - - - - -

E então chegou a noite
e eu nada tinha em minhas mãos
Mais do que nada
Havia tristeza
Silêncio nos olhos e no coração

Sei que não era o mundo inteiro
Era um sonho transformado em mentira
O que é quase a mesma coisa
Nessa estrada
Nessa vida

Não havia mais caminho
E eu sozinho...
...ainda pedia perdão
E o tempo sempre passa
E continua a dizer não







Friday, October 10, 2014

Prelúdio

Percorrer a luz da manhã
Acordar o que está adormecido
Sonhar acordado
Conversar com o tempo

Temos o que nos falta
Porque somos aquilo que temos
Mas machucados pela voz das certezas
Se somos, não sabemos
Esquecemos!

Caminhar pela luz desse dia
Parece alívio mas é só teimosia
de sonhar acordado
e conversar com o tempo
enquanto tantos a minha volta compram sorrisos
pra vender alegria.

...e o futuro parece um detalhe irrelevante!




Thursday, October 2, 2014

Um Dia

Um dia os portões serão abertos e as crianças serão libertas.

Livres da fome
Livres dos sentimentos pequenos
Livres do mundo doente que as sufoca

Livres dos deuses que disseminam a culpa
Livres dos demônios que matam o amor
Livres da desesperança que mata a vontade de viver

Livres dessa vida que nos mata a cada dia

Os portōes serão abertos
 Pra que possamos ver as flores
 Pra que possamos enxergar outros limites 
 Pra que sonhemos com uma outra liberdade
    Que não seja aquela que guardamos dentro do peito

Os portões serão abertos 
 Por que somos capazes de vencê-los
 Por que somos capazes de amá-los
 E transformá-los em flores

Talvez demore um pouco
Talvez eu nem esteja mais aqui
E nesse caso então, eu lhes peço:
 diante de todo esse universo de possibilidades
 Por favor 

Quando os portões forem abertos
Antes de qualquer coisa
Antes mesmo de celebrar ou sorrir
Não se esqueçam

Libertem as crianças


...pra que elas nos mostrem o caminho!




(Aos meus filhos Mira Serena e Michel Albert)