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Wednesday, January 21, 2015

Notas Poéticas: "Pessoas" (#3 de 14)



Montréal (centre-ville) - Qc


Vejo pessoas
Vejo fantasmas
Vejo verdades que não queria ver

Vaidades que assombram as ruas desertas
E inventam as regras de um novo viver

...enquanto não vivem
                                ...e morrem sem saber!





Friday, January 9, 2015

Migalhas

Às vezes a Estrada parece ser feita de migalhas,
atiradas pelos que não conhecem os passos além de seus jardins.
O que tirar disso?
O que guardar?
O que deixar partir?
Meu coração não possui nenhum jardim
Pertence aos poucos que ainda estão abertos
Imperfeitos e incompletos
Prontos pra se transformarem no universo perfeito pra alguém
Prontos pra transformarem as migalhas em sentimentos
Recolho as migalhas pra entrgá-las aos jardins a que pertenço 
E vou embora
Com um sorriso
Com uma história
E dos motivos pra guardar tanta tristeza
Faço migalhas pra lançar aos passarinhos
Que em festa brincam e me trazem outro sorriso
E depois vão se enamorar de outras flores
E ajudar a inventar outros jardins
Eu fico com o vento:
Ora sigo, ora infrento
Recolho as migalhas que encontro pela estrada
E tenho em meus sonhos - as únicas coisas que quero guardar
Um Passageiro que se rende aos passarinhos
Porque não tem ninho
E nem tampouco aprendeu a voar
só tem a Estrada!

…só tem a Estrada!!!






Wednesday, December 17, 2014

Te encontrar


Espero ainda um dia te encontrar
Além da violência desses dias
Um dia em que as noites serão noites
E não esse pesar que silencia

Espero ainda um dia te olhar
Sem os laços que sufocam a rebeldia
No dia em que as noites serão noites
E os dias não serão mais do que dias

Espero ainda um dia te falar
Das vozes que sussurram delirantes
Os versos de um canto sem memória
Poemas de amor hoje distantes

Espero nesse dia te amar
Além da estupidez, além do medo
No dia em que as noites serão noites
E a vida o decifrar de seus segredos






Tuesday, December 16, 2014

Detalhes infinitos

O espelho e a casa vazia
A escuridão das luzes apagadas
O silêncio de nenhuma voz
E o de minha voz calada

A luz que entra pelas frestas
e o descaso das cortinas fechadas
A bagunça que não se mexe há dias
E as portas abertas por onde ninguém passa

Tudo isso são detalhes infinitos
Não há como fugir
E nem como me fazer ficar

Não há resposta à pergunta não feita
Nem cicatriz pra essa ferida exposta
O que existe é o tempo e a poeira

Além do infinito no detalhe de meus olhos fechados!






Monday, December 15, 2014

Aprendendo a andar


Aprendendo a andar
A cada tombo
A cada engano

Aprendendo a falar
de tantos medos
tantos sonhos

Aprendendo a calar
o que é desejo
o que é profundo

Aprendendo a buscar
outros caminhos
outros mundos

Aprendendo a olhar
Por entre as sombras
entre escombros

Aprendendo a viver
entre famintos
miseráveis

Aprendendo a amar
mais amanhã
do que foi ontem

Aprendendo a dançar
com os pés descalços
e incansáveis

Aprendendo a andar
falar, calar
buscar o caminho

Aprendendo a olhar
viver, amar
dançar sozinho

Aprendendo a morrer
dia após dia
e lentamente

Aprendendo a nascer
noite após noite
eternamente





Friday, December 12, 2014

O sol de teus olhos


Ainda me lembro
do dia de sol
Do sol de teus olhos
Do sol dividido
Me lembro do dia
E do amor escondido
Ainda maior
Que teus olhos perdidos

Ainda me lembro
Do dia de sorte
Da espera contida
Da voz comedida
Do banco lá fora
Do resto da vida
Me lembro dos olhos
Sem dor nem feridas

Me lembro da pressa

e dos planos futuros
Me lembro da Rosa
e das mãos delirantes
O banco lá fora
Não é mais como antes
O dia de sol

Já não aquece o bastante

Mas o sol de teus olhos

É ainda maior
Maior que esse sol
Maior que as feridas
Eu vivo esse amor
E uma espera contida 
Pois me lembro da Rosa
E do resto da vida







Friday, November 28, 2014

Se eu fosse contar os dias


Se eu fosse contar os dias
Contaria os dias que te amo
Pois os dias que vieram antes disso
Foram engano
Foram ilusão
E os dias que virão depois de ti
Não serão dias
Nunca virão

Se eu fosse contar os dias
Não contaria nem o acaso nem o avesso
Pois o avesso é o acaso do destino
E o acaso é o destino do avesso
Não moram em ti
Que és a estrada que conheço
Onde me vejo
E onde me esqueço

Se eu fosse contar os dias
Contaria os dias de teus dias
Pois os dias que contaram antes disso
Foram palavras
Sem alegria
E os dias que eu contar depois de ti
Não serão verso
Nem poesia




(aos 16 anos que contamos os dias juntos!)



Wednesday, November 26, 2014

Escrever

Enterrado sob sonhos que já nem me lembro

Escrevo mensagens de um coração aflito
Mas escrever não muda nada
Não move nada
Nada resolve

A mão que escreve não é firme o bastante
Os olhos não vêem o suficiente
As pernas não encontram o caminho a seguir
O corpo é o limite
Os dias sem fim
O tempo, ilusão
E a morte...

...a morte é o afago que não cabe nesse quadro!

Wednesday, November 19, 2014

Desistir

As curvas do tempo trazem as marcas da crueldade
O sol se ergue sobre a dor de um novo dia
Uma espera sem nome
Uma sorte vazia
As frestas da cortina empoeirada
   mostram que ainda existe vida
Imprecisa e tênue
Um fio prateado a que me apego

Ainda há ar em meus pulmões
Ainda há as frestas
E cortinas não abertas

Não acredito em um mundo novo
Mas não tenho medo do porvir

Não vejo mais o horizonte
Mas continuo mesmo assim
Tenho desistido de muitas coisas
Mas ainda não desisti de mim





Friday, November 14, 2014

Poema



Encontre-me além desse poema
Além do vazio e das canções
Ensina-me o preço dos teus erros
Permita-me o erro das paixões

Entrega-me o vício que te invade
Entrega-me o filho que em ti cresce
Serei a melhor de tuas memórias
Serei o poema que te escreve

Do brilho que dorme em teus olhos
Serei a vertigem que te aquece
O ar que navega o teu corpo
A mão que em teu seio adormece

Tal qual essa vida de ilusões
Te invento nas cores dessa cena
Além da virtude das canções
Encontre-me além desse poema



Wednesday, November 12, 2014

No último dia de minha juventude

No último dia de minha juventude eu fui amado
Cantei os versos mais bonitos
E estava pronto pra minha morte!

Abracei o vento
Respirei ar puro
Olhei para os lados e vi todas as pessoas
- pessoas vivas e pessoas mortas -
E não estava incomodado com as lembranças

No último dia de minha juventude eu bebi vinho
E à possibilidade de uma vida certa
Eu disse: “ - Não, obrigado!”

Fiz o meu futuro
Arrumei o meu quarto
Numa folha de papel escrevi meu último desejo
E a coloquei ao lado de fotos de meus amigos

No último dia de minha juventude eu fui feliz
Não tinha a obrigação de contemplar o horizonte
Não tinha medo
E nem vaidades

Não tinha botas
E nem capa de chuva
E também não tinha pra onde ir
No último instante de minha juventude eu estava livre
E sorria muito!

Sentindo a grama, o vento e o calor do mundo inteiro
O entardecer foi meu refúgio
E a primavera chegou mais cedo
E meu coração batia lento
No último dia

No último dia!